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    Após reunião com líderes, Lira anuncia que irá iniciar o debate da reforma tributária ainda nesta quarta-feira (5)

    Prefeitos que estiveram na terça-feira (4) em Brasília também ouviram de Lira que a intenção é manter a agenda de tramitação da reforma

    Arthur Lira, presidente da Câmara dos Deputados.
    Arthur Lira, presidente da Câmara dos Deputados. Marcelo Camargo/Agência Brasil

    Gustavo Uribeda CNN*

    Brasília

    O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), afirmou nesta quarta-feira (5) que irá iniciar ainda hoje o debate sobre a tramitação da reforma tributária. O anúncio foi feito após reunião de Lira com líderes da Casa.

    A intenção é que o texto vá ao plenário na quinta-feira (6).

    Na terça-feira (4) prefeitos de todo o país estiveram em Brasília e ouviram de Lira que o calendário inicial de votação da reforma tributária está mantido. Ou seja, até ontem a a intenção era iniciar a apreciação do texto no plenário até sexta-feira (7).

    A fala de Lira ocorreu em reuniões fechadas. Posteriormente, a assessoria da Presidência da Câmara emitiu uma nota afirmando que o parlamentar segue em negociações com governadores, prefeitos e entidades de classe para manter a agenda de votação.

    “Junto com os líderes partidários, o presidente Lira está convencido que conseguirá o consenso para colocar a proposta de reforma tributária para ser votada até sexta”, informou a assessoria.

    Na reta final antes da votação, articuladores do texto tentam alinhar pontos da proposta que trazem divergências.

    Parte das “trincheiras” se concentram nos governadores estaduais. Há divergências, por exemplo, em relação ao Fundo de Desenvolvimento Regional (FDR) e ao conselho federativo.

    O texto preliminar prevê que o FDR crescerá progressivamente de 2029 a 2033, quando atingirá R$ 40 bilhões. Segundo apuração da CNN, o valor pode subir cerca de R$ 10 bilhões. Governadores sinalizaram o pedido de R$ 75 milhões.

    Sobre a distribuição do FDR, parte dos governadores defende que o principal critério seja o PIB invertido (estados mais pobres ganham mais recursos). Outros mandatários pedem que a metodologia considere a população e o número de beneficiários do Bolsa Família.

    O governo também já admite ajustes para mudanças nas prerrogativas do conselho federativo. Pela proposta, caberia a um colegiado federal, formado por representantes das unidades federativas, administrar o IBS, imposto que resultará da fusão entre o ICMS e o ISS.

    O poder do conselho federativo tem sido criticado por governadores e prefeitos, sobretudo de São Paulo e Rio de Janeiro, que avaliam que o mecanismo diminuirá a independência das unidades federativas na arrecadação dos impostos.

    A principal demanda dos municípios que se contrapõem ao substitutivo passa pela administração dos impostos. A Frente Nacional dos Prefeitos (FNP) indica que a reforma, ao dar fim ao ISS (que se une ao ICMS para formar o IBS), tira a autonomia das cidades.

    Segundo a Frente, o hipotético aumento da carga tributária ao setor de serviços também impactaria a dinâmica arrecadatória para os municípios. Segundo cálculos de associações, a carga para as empresas do ramo deve subir.

    Questionado sobre a divergência do setor, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, vem afirmando que a manutenção do Supersimples e a diminuição de alíquotas para educação e saúde atendem as demandas.

    Além de manter o Simples Nacional, o texto preliminar da reforma define que a alíquota será de 50% da cifra padrão do Imposto sobre Valor Agregado (IVA) para diversos setores — entre eles serviços de educação; serviços de saúde, dispositivos médicos e medicamentos.

    Diversos setores da economia fazem pressão para que sejam incluídos no grupo que terá alíquota diferencial, alegando que vão pagar uma conta desproporcional na redistribuição de impostos.

    Entre os setores que pedem tratamento diferencial estão supermercados, telecomunicações e transporte de cargas.

    *Com informações de Danilo Moliterno