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    Com mercado de carbono, Brasil retoma liderança climática e protege exportações, diz relatora à CNN

    Projeto de lei que regulamenta o mercado de crédito de carbono para empresas que emitem mais de 10 mil toneladas de gases do efeito estufa deve avançar nesta semana no Senado

    Relatora do projeto de mercado de carbono, Leila Barros
    Relatora do projeto de mercado de carbono, Leila Barros Foto: Pedro França_Agência Senado

    Danilo Moliternoda CNN

    São Paulo

    Relatora de projeto de lei (PL) que regulamenta o mercado de crédito de carbono no Brasil, a senadora Leila Barros (PL-DF) acredita que a aprovação da matéria devolve ao país protagonismo na agenda climática e protege exportações de tarifas.

    “O projeto é fundamental para o país atingir metas de emissões de gases do efeito estufa, retomar nosso protagonismo mundial na questão climática, proteger nossos produtos de exportação de tarifas cobradas com base na pegada de carbono, financiar a transição energética e atrair investimentos para o país”, disse.

    A senadora destaca o potencial do país para assumir a liderança no mercado de redução de emissões, visto sua “vasta cobertura de vegetação, rica biodiversidade e matriz energética limpa”.

    Afirma, contudo, que a aprovação do projeto é crucial neste processo, por representar o compromisso do país com ações alinhadas à agenda internacional.

    O Brasil tem a capacidade de ofertar créditos de carbono
    O Brasil tem a capacidade de ofertar créditos de carbono (27.set.2021) / Reprodução / CNN

    Leila Barros já apresentou seu parecer para a matéria. A senadora ainda conversa com setores e analisa sugestões de alterações no texto, mas espera que ainda nesta semana o projeto possa ser votado na Comissão de Meio Ambiente.

    “O parlamento brasileiro compreende a importância de aprovar este projeto e os riscos associados à ausência de um mercado regulamentado no Brasil. A União Europeia pode começar a impor tarifas a produtos de países que não possuem o mercado de carbono regulado. É uma janela de oportunidade que não podemos perder”, disse a relatora.

    Em evento na última terça-feira (26), o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), afirmou que o Congresso tem “compromisso” com a regulamentação e indicou que a matéria irá ao Plenário assim que for aprovada na comissão.

    A senadora destaca que o projeto faz parte de um conjunto de medidas do governo federal que visam a Transição Ecológica no Brasil. Uma regulação efetiva do mercado de carbono pode render ao Brasil US$ 120 bilhões (cerca de R$ 577,2 bilhões) até 2030, segundo cálculo da Câmara de Comércio Internacional (ICC Brasil).

    O projeto

    O PL regula o mercado de carbono para empresas que emitem acima de 10 mil toneladas de gases do efeito estufa. Essas companhias terão de, anualmente, apresentar ao órgão gestor do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE) um plano de monitoramento e relato de emissões e remoções de gases de efeito estufa.

    Empresas que emitem mais de 25 mil toneladas por ano vão ter um limite para emissão dos gases na sua linha de produção.

    Se, ao final do período medido, a instalação extrapolar esse limite, ela terá de buscar cota excedente de outra companhia que emitiu quantidade menor que sua cota ou adquirir créditos de carbono reconhecidos no SBCE.

    O projeto também estabelece penalidades para as instalações que infringirem as regras do SBCE. As punições vão desde advertência; multa; embargo de atividade, fonte ou instalação; suspensão parcial ou total de atividade, de instalação e de fonte; e restrição de direitos, segundo divulgação da senadora.

    Em atenção a demanda do agronegócio, Leila incluiu no texto um artigo prevendo que o cumprimento de metas se aplica apenas às atividades para as quais existam metodologias de mensuração, relato e verificação consolidadas para o cálculo de emissões e remoções.

    Ainda de acordo com a senadora, além de dar segurança jurídica para as empresas brasileiras e investidores estrangeiros, a regulamentação fortalecerá de forma indireta o mercado voluntário de créditos de carbono.

    Veja também: Senado aprova regulamentação do Desenrola