COP30: 70% das indústrias veem bioeconomia como essencial para o futuro
Pesquisa da CNI mostra avanço da sustentabilidade na gestão industrial e maior apoio ao uso responsável da biodiversidade.

Sete em cada dez empresários da indústria brasileira, o equivalente a 70%, consideram a bioeconomia essencial para o futuro do setor. É o que revela uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que aponta a sustentabilidade como um dos principais vetores de competitividade e inovação no país.
O levantamento, encomendado ao Instituto de Pesquisas Nexus, ouviu 1.004 empresas industriais de pequeno, médio e grande porte em todas as regiões do país, entre agosto e setembro deste ano.
Entre os entrevistados, 20% consideram a bioeconomia de “total importância”, 37% “muito importante” e 20% “mais ou menos importante”.
Para a CNI, o avanço da bioeconomia representa não apenas uma pauta ambiental, mas um novo vetor de competitividade e inovação para o país.
Indústria apoia uso sustentável da biodiversidade
Segundo o levantamento, 89% dos executivos defendem o uso econômico e responsável dos recursos naturais. Entre eles, 32% afirmam que a biodiversidade deve ser conservada, garantindo seu uso sustentável; 29% defendem que ela deve integrar os negócios de forma sustentável; e 28% acreditam que o tema deve fazer parte das políticas de responsabilidade socioambiental.
Apenas 5% defendem a preservação total sem uso econômico, o que reforça a visão predominante de conservação como equilíbrio entre exploração racional e proteção ambiental.
O relatório também aponta que a bioeconomia pode fortalecer a competitividade internacional da indústria brasileira, especialmente com a produção de bens e insumos de baixo carbono e maior valor agregado.
Sustentabilidade ganha espaço na estrutura das empresas
O estudo aponta um crescimento de 7 pontos percentuais no número de indústrias com áreas formais dedicadas à sustentabilidade, de 41% em 2024 para 48% em 2025.
Para a CNI, o avanço mostra que o tema vem sendo incorporado à gestão e ao planejamento estratégico das companhias, deixando de ser periférico.
O levantamento revela ainda que grandes indústrias são as que mais avançaram na criação de áreas específicas de sustentabilidade, enquanto pequenas e médias empresas ainda enfrentam desafios estruturais e falta de capacitação técnica para implementar políticas ambientais.
Custo competitivo impulsiona ações sustentáveis
De forma espontânea, 55% dos empresários apontaram o custo mais competitivo como principal fator para aumentar o uso de fontes renováveis, seguido de incentivos fiscais (10%) e redução da emissão de poluentes (8%).
Por outro lado, os altos custos das tecnologias limpas e a falta de linhas de financiamento específicas ainda são apontados como as principais barreiras para ampliar investimentos em sustentabilidade.
O levantamento também mostra que as indústrias já adotam, em média, seis ações sustentáveis em suas linhas de produção. Entre as mais comuns estão a redução de resíduos sólidos (90%), a otimização do consumo de energia (84%) e a modernização de máquinas para melhoria ambiental (78%).
Outras práticas destacadas incluem controle de emissões de gases de efeito estufa, reuso de água e uso de materiais recicláveis e embalagens sustentáveis.


