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Energia: Percepção de risco em países emergentes é exagerada, avalia CEO

Em entrevista à CNN, Ben Backwell, do Global Wind Energy Council, afirma que o histórico positivo de projetos na América Latina e na África desmente temor de alta exposição

Gabriel Garcia, da CNN Brasil, Brasília
  • Reprodução - CNN Brasil
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A percepção de risco para investimentos na área de energia renovável em países em desenvolvimento é muitas vezes exagerada, avalia Ben Backwell, CEO do Global Wind Energy Council (GWEC).

Em entrevista à CNN, o executivo argumenta que a quantidade de projetos ligados à transição energética concluídos com sucesso na América Latina e na África, por exemplo, demonstra que essa percepção é “exagerada”.

“A percepção de risco nos países em desenvolvimento é muito alta, quando, na realidade, o risco é menor, em muitos casos, do que nos países desenvolvidos. Vimos muitos projetos na América Latina, na África e no Sudeste Asiático, e não houve esse grau de fracasso. O histórico desses países é bastante bom. A percepção de risco está exagerada em muitos casos”, disse.

Backwell afirma que, devido a essa percepção equivocada, os investimentos verdes acabam ficando concentrados nas grandes potências, o que atrasa o avanço do financiamento climático.

“O investimento ainda está muito concentrado em mercados grandes, sobretudo China e comunidade europeia. É muito importante que esse investimento não fique apenas nos países desenvolvidos. O setor privado também tem muito para fazer, para investir em países novos”, acrescentou.

O financiamento climático é considerado fundamental para impulsionar projetos sustentáveis, promover a adaptação às mudanças climáticas e reduzir as emissões de carbono, especialmente em países mais pobres, que enfrentam maior vulnerabilidade e têm menos recursos para investir em transição energética.

O tema deve ser destaque na COP30 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima), que será realizada em novembro, em Belém (PA).

Sob liderança da diplomacia brasileira, a expectativa é de que a conferência impulsione as negociações sobre financiamento climático, transição energética, preservação da Amazônia e cumprimento das metas do Acordo de Paris.

NDCs

A um mês da COP, menos de 70 países entregaram suas NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas).

As NDCs são compromissos voluntários assumidos pelos países dentro do Acordo de Paris para reduzir emissões de gases de efeito estufa e enfrentar as mudanças climáticas.

Na prática, funcionam como um roteiro que orienta as ações governamentais para tornar o país mais sustentável, com metas, prazos e estratégias para ampliar o uso de energias limpas.

Segundo a presidência da COP, o ritmo de entrega das NDCs está abaixo do esperado.

Na avaliação de Backwell, a entrega dos documentos é essencial para uma conferência mais produtiva, com debates mais claros e objetivos.

“Queremos ver NDCs ambiciosas, isso é o fundamental. É importante que os países trabalhem bem, detalhem e venham à mesa com as NDCs mais ambiciosas possíveis”, concluiu.

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