Especialista explica impactos no consumo de energia com onda de calor
Fernando Perrone, do Instituto Nacional de Eficiência Energética, explica que refrigerar o ambiente gradualmente e manter filtros limpos reduz consumo de energia elétrica
A onda de calor que atinge diversos estados do Brasil tem levado milhões de pessoas a recorrerem ao ar-condicionado como alívio para as altas temperaturas. No entanto, o uso inadequado desses equipamentos pode resultar em um consumo excessivo de energia elétrica, impactando diretamente na conta de luz.
Em entrevista ao Live CNN, Fernando Perrone, diretor do Instituto Nacional de Eficiência Energética (INEE), explica que o ar-condicionado deixou de ser um artigo de luxo e se tornou essencial para o conforto da população brasileira, especialmente durante as intensas ondas de calor que afetam o país de norte a sul.
Segundo Perrone, uma das principais recomendações é utilizar o equipamento regulado em uma temperatura que proporcione conforto ao ambiente, em torno de 23 °C. "O ideal é começar a refrigerar o ambiente antes de utilizá-lo propriamente dito, por exemplo, um quarto aonde vai se dormir", orienta. Esta estratégia permite que o resfriamento ocorra gradualmente, evitando o uso de potência máxima em curto espaço de tempo, o que aumenta significativamente o consumo energético.
Manutenção e eficiência energética
A limpeza regular dos filtros do ar-condicionado é outro ponto crucial destacado pelo especialista. "Limpe os filtros do ar-condicionado regularmente, porque isso melhora o desempenho do equipamento", recomenda Perrone. Ele também aconselha manter o aparelho em ambientes bem isolados, protegidos da incidência solar direta, para evitar aquecimento desnecessário.
Perrone alerta sobre o erro comum de ligar o ar-condicionado em temperaturas muito baixas, como 18 °C, na tentativa de resfriar rapidamente um ambiente muito quente. "Se eu ponho maior potência para produzir uma refrigeração mais forte por um curto espaço de tempo, é óbvio que a energia consumida naquele tempo vai ser muito maior", explica.
O diretor do INEE ressalta a importância de adquirir equipamentos com o selo Procel de eficiência energética. "Hoje, nós temos um programa de Estado, o Procel, aquele que tem o selinho vermelho nos equipamentos eletrodomésticos, que está completando 40 anos. É um aliado muito importante para o consumidor de energia elétrica", destaca.
Impacto do consumo de ar-condicionado no Brasil
Um dado alarmante apresentado por Perrone é que as edificações brasileiras – residenciais, comerciais e públicas – consomem aproximadamente 52% da energia elétrica produzida no país. Desse total, o ar-condicionado representa cerca de 47% do consumo no setor comercial e mais de 30% no residencial.
"Esse número tende a crescer com a população comprando cada vez mais ar-condicionado para suportar essas ondas de calor, que tem sido uma constante com as mudanças climáticas", alerta Perrone. Como alternativa para reduzir o consumo enquanto mantém o conforto térmico, ele sugere combinar o uso do ar-condicionado com ventiladores de teto, que ajudam a circular o ar já refrigerado, diminuindo a necessidade de manter o aparelho funcionando constantemente.


