Fed se prepara para encontro anual nos EUA em meio a difícil quadro de inflação

Banco central dos EUA parece que poderá obter uma "aterrissagem suave" para sua própria economia; perspectivas para a Europa são mais preocupantes

Por William Schomberg e Balazs Koranyi, da Reuters
Compartilhar matéria

Neste período do ano passado, os maiores bancos centrais do mundo estavam unidos na compreensão equivocada da inflação.

Agora, conforme os principais banqueiros centrais norte-americanos se reúnem para a conferência anual de política monetária do Federal Reserve de Kansas City em Jackson Hole, Wyoming, o banco central dos EUA parece que poderá obter uma "aterrissagem suave" para sua própria economia, mas as perspectivas para a Europa são muito mais preocupantes.

Grande parte do mundo está enfrentando a maior alta de preços desde o início da década de 1980, levantando temores de uma repetição do fenômeno de espiral de preços e salários daquela época que exigiu taxas de juros de dois dígitos, além de recessões dolorosas, para restaurar a estabilidade de preços.

Isso deixa muitas das autoridades que estão a caminho das montanhas Grand Teton nesta semana torcendo para que as pressões inflacionárias de hoje diminuam rápido o suficiente para permitir que combatam as desacelerações previstas em economias ao redor do mundo.

"Eles estão presos entre uma recessão iminente e uma inflação altíssima. Sua primeira preocupação é reagir à inflação alta", disse Holger Schmieding, economista-chefe do banco de investimento Berenberg. "Uma vez que a recessão esteja claramente presente, a preocupação mudará."

Essa mudança, no entanto, pode ser assimétrica, com o Federal Reserve, em particular, sinalizando uma relutância em reverter rapidamente as marchas.

No ano passado, o chair do Fed, Jerome Powell, afirmou que o salto na inflação deveria ser transitório. À medida que essa narrativa se desfazia, ele se tornou a força motriz por trás do ritmo mais rápido de aperto monetário nos Estados Unidos em quatro décadas.

Além disso, ele e outros do banco central norte-americano também indicaram a disposição de tolerar uma certa contração da economia americana se isso for necessário para domar a inflação.

Embora haja algumas indicações de que o Fed poderá diminuir em breve seus aumentos de juros do ritmo de 75 pontos-base adotado em suas duas últimas reuniões de política monetária, Powell pode usar seu discurso no simpósio na sexta-feira (26) para esfriar expectativas de cortes da taxa em 2023.

A inflação de preços ao consumidor nos EUA caiu, mas em julho ainda estava próxima ao maior patamar em quase 40 anos, a 8,5% -- abaixo dos 9,1% no mês anterior -- e deve atingir uma média de quase 4% em 2023, segundo analistas consultados pela Reuters.

A perspectiva é muito pior na Europa importadora de energia, onde a invasão da Ucrânia pela Rússia levou a preços vertiginosos de energia que devem continuar acelerando à medida que Moscou retalia as sanções europeias restringindo os fluxos de gás.

As previsões do Banco Central Europeu mostram que a inflação da zona do euro cairá para 3,5% em 2023, mas seus números têm sido constantemente revisados para cima e a Alemanha agora espera uma inflação acima de 6%, sugerindo que as próximas previsões do BCE em setembro serão mais altas.

O BCE elevou as taxas de juros no mês passado pela primeira vez em 11 anos.

Acompanhe Economia nas Redes Sociais