Brasileiro atrasa pouco o financiamento do carro – e Uber ajuda a explicar isso

Cerca de 90% dos brasileiros que financiaram o seu carro estão pagando as parcelas em dia mesmo na pandemia: aplicativos como Uber e 99 se tornaram o ganha-pão

Gustavo Lago e André Jankavski,
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O brasileiro está mais dependente do carro e prefere atrasar outras contas (mesmo que tenham juros mais altos) do que ter a chance de ter o seu automóvel tomado pelo banco. Quase 90% das parcelas de financiamento de veículos são pagas em dia, mesmo na pandemia.

É o que aponta um levantamento da empresa de serviços de informação Serasa Experian. 

O percentual é maior do que de outros tipos de pagamentos, como o cartão de crédito (86,8%) e parcelas de crédito pessoal (86,1%), que podem chegar a ter juros acima dos 300% ao ano. A pontualidade no pagamento só não é maior do que o crédito consignado – afinal, o mesmo é retido na fonte.

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Um dos motivos para essa predileção na hora de pagar a conta? O crescimento de aplicativos de transporte, como Uber e 99, que se tornaram o principal ganha pão de diversos brasileiros e também a dependência do carro, que muitas vezes é a única opção de transporte.

"O veículo se fortaleceu como fonte de renda dos brasileiros que precisaram criar alternativas de emprego", diz o economista-chefe da Serasa Experian, Luiz Rabi.

Não por acaso, dentro do universo de microempreendedores individuais pesquisados pelo Serasa, a média dos financiamentos de carro por esse público é maior do que do público em geral: 10% a 7,3%. Para os MEIs que ganham acima de R$ 5 mil mensais, a fatia sobe para 20,1%. 

E, obviamente, tendo o automóvel como peça fundamental para colocar comida dentro de casa, a última coisa que o brasileiro quer é perdê-lo para o banco.

"O veículo é dado como garantia e, se a pessoa não paga o financiamento, ela pode ter o veículo tomado", afirma Rabi.

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