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    Seis dicas para tirar a sua empresa do vermelho

    Especialistas dão recomendações de gestão e controle para empresas que precisam recuperar a saúde financeira

    Entre os principais fatores para uma desordem financeira responsável por levar uma empresa a operar no vermelho estão o mau controle do fluxo de caixa
    Entre os principais fatores para uma desordem financeira responsável por levar uma empresa a operar no vermelho estão o mau controle do fluxo de caixa Headway/Unsplash

    Estímulo

    Gerir o próprio negócio é uma tarefa árdua e que exige adaptações constantes. Parte da rotina empreendedora demanda flexibilidade para remodelar negócios, disposição para atualizar linhas de produtos e uma atenção redobrada a tendências de mercado.

    O arranjo da gestão também pede um conhecimento — ainda que mínimo — de finanças e controle orçamentário. E é neste ponto que muitos erros podem acontecer.

    Fato é que a imensa quantidade de cursos de capacitação pode, por vezes, não ser suficiente para preparar o empresário para situações de desarranjos financeiros, levando muitas empresas à temida zona vermelha.

    Operar no vermelho, ou seja, com um déficit orçamentário, é uma situação recorrente a muitos negócios. Atualmente, 60% das empresas brasileiras costumam fechar as portas nos primeiros cinco anos de existência — e os erros relacionados ao controle financeiro estão no topo das motivações para isso.

    Entre os principais fatores para uma desordem financeira responsável por levar uma empresa a operar no vermelho estão o mau controle do fluxo de caixa, com a negligência em relação aos custos, despesas e dívidas, além da precificação incorreta de produtos e o mau investimento de recursos da empresa, pontua Igor Vitor Oliveira, líder de operações e BI do Estímulo, fundo de impacto social e de apoio ao empreendedorismo.

    Por se tratar de uma situação usual, há uma série de recomendações para empreendedores que desejam recuperar a saúde financeira de seus negócios, e elas partem de uma análise criteriosa da situação financeira real da empresa.

    Logo em seguida, uma escolha assertiva sobre que contas priorizar e o que pode ser negociado no longo prazo. Em última instância, exige também a disposição para mudar o perfil de gestão e de funcionamento do negócio.

    Veja, abaixo, seis recomendações para retomar a saúde financeira do seu negócio:

    1. Novo momento, novo plano

    De acordo com Luis Eduardo Cascão, fundador da Tino, empresa que oferece soluções de pagamento a prazo para pequenos varejistas, a primeira recomendação para empreendedores que desejam tirar a empresa do vermelho é a de reestruturar o planejamento financeiro, deixando de lado as premissas adotadas antes.

    “É preciso começar do zero. A situação financeira da empresa obviamente é diferente, o que exige também um novo planejamento”, diz

    2. Olhe para os indicadores do negócio

    A desatenção aos números reais de entradas e saídas financeiras, resumidos no indicador de fluxo de caixa, é um dos problemas crônicos que levam empresas a operar com a corda no pescoço.

    Ao negligenciar os dados ligados às contas a pagar e receber e a sobreposição de um ao outro, a missão de compreender se o negócio está operando em equilíbrio ou não se torna ainda mais complicada, avalia Cascão.

    “Uma empresa não fica no vermelho por uma única decisão mal tomada, é um acúmulo de decisões envolvendo o business. Mas sem dúvida, uma má gestão no fluxo de caixa sempre foi e continua sendo o principal problema das empresas na atualidade”, diz.

    Ao considerar o cenário econômico complexo do país e a predileção de empreendedores —  especialmente do setor varejista — em relação ao cartão de crédito como método de recebimento, a gestão eficiente do fluxo de caixa se torna ainda mais necessária.

    “O comércio vende, na imensa maioria das vezes, no crédito. Isso dá a ele 30 dias até receber por determinado produto. Além disso, ainda tem a questão do parcelamento. Isso traz uma complexidade imensa na gestão do fluxo de caixa e exige um controle de “contas a pagar” ainda mais refinado”.

    A atenção a outros demonstrativos financeiros também pode ajudar o empreendedor a monitorar a eficiência do negócio, como a DRE e Balanço Patrimonial. Além disso, conforme pontua Oliveira, do Estímulo, é importante sempre monitorar a precificação do produto ou serviço, “principalmente por conta da variação dos custos de matéria-prima e insumos, bem como o orçamento de custos e despesas”, diz.

    3. Defina prioridades e aja no curto prazo

    Depois de avaliar a real situação em que a empresa se encontra, é hora de redefinir rotas e definir prioridades. Considere liquidar os pagamentos mais críticos, com taxas e juros de atraso mais significativos, além de dedicar parte do orçamento para o pagamento de despesas essenciais e que podem comprometer a legitimidade do negócio, como impostos e outros encargos obrigatórios, por exemplo.

    A antecipação de dívidas e a adesão a novas linhas de capital de giro também estão entre as medidas de curto prazo que podem trazer alívio financeiro para negócios no vermelho.

    É importante destacar, porém, que a busca por linhas de financiamento pode ser uma inimiga no processo de reconstrução financeira de uma empresa. Tudo dependerá da avaliação correta sobre os reais problemas da empresa, e sua capacidade de pagamento de uma nova dívida, esclarece Oliveira.

    “Ele (crédito) pode ser um aliado quando o negócio tem um bom plano de como usá-lo e as condições, como taxa de juros, valor e prazo de pagamento, estão alinhadas com as necessidades do negócio. Quando isso não acontece, o crédito pode ajudar a afundar ainda mais o negócio”, afirma.

    4. Adote medidas de médio prazo

    Com foco no médio prazo, algumas medidas como renegociação de dívidas de longo prazo, como financiamentos e empréstimos, também são alternativas viáveis. “Não existe uma bala de prata para solucionar o problema financeiro de todas as empresas.

    Mas sem dúvida, a maneira mais saudável, que não prejudica a sua margem, é estender o seu prazo de recebimento, além de negociar com fornecedores e credores”, avalia Cascão.

    Assim, você cria um alívio financeiro, sem necessariamente colocar a mão em seu capital de giro e ganha também tempo para ajustar o fluxo de caixa com tranquilidade.

    A organização de cada entrada e saída por categoria, separando fornecedores, colaboradores, despesas administrativas e receitas, também é uma estratégia inteligente, mirando o médio prazo e uma melhor organização das finanças da empresa.

    5. Seja estratégico

    Para se reerguer, empresas precisam traçar planos que mirem não apenas o alívio imediato, mas que permitam decisões mais estratégicas para o uso dos recursos, uma vez que estiverem em equilíbrio.

    “É extremamente importante alocar o dinheiro com sabedoria, negociando bem cada centavo que vai sair bem como alocar em gastos necessários para a operação e crescimento do negócio”, afirma Oliveira.

    Ainda olhando para um cenário futuro em que o desarranjo financeiro não é mais um problema, a recomendação é estar disposto a mudar o perfil da sua gestão, transformando a maneira como a empresa opera, e assim evitando repetir erros que a levaram a operar no vermelho.

    No caso de varejistas, por exemplo, o controle inteligente de estoques também é uma alternativa, permitindo que reposições sejam feitas apenas quando necessário.

    6. Use a tecnologia a seu favor

    Diferentes ferramentas e aplicativos à disposição de pequenos empresários hoje podem ser aliados no combate à gestão arcaica e desatualizada. O uso de tecnologia facilita o dia a dia operacional, enquanto a automação traz agilidade e modernidade ao negócio.

    Entre as funções que podem ser agilizadas e modernizadas com a ajuda de diferentes plataformas de gestão financeira estão a conciliação automática, a emissão de notas fiscais e o acesso ao crédito e obtenção de mais prazo para pagamentos — como é o caso da Tino.

    (Texto de Maria Clara Dias)