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    Inadimplência entre aposentados dispara para 32,7% em quatro anos

    Segundo dados da Serasa, entre maio de 2019 e maio de 2023 a taxa de crescimento da inadimplência entre idosos foi o triplo da média da população

    Hoje são 12,7 milhões de pessoas com mais de 60 anos com dívidas em atraso, 3 milhões a mais que em 2019
    Hoje são 12,7 milhões de pessoas com mais de 60 anos com dívidas em atraso, 3 milhões a mais que em 2019 Reprodução/Freepik

    Elaine BastDanilo de Oliveirada CNN

    em São Paulo

    Eles são os mais procurados em momentos de emergência financeira na família. Com a aposentadoria caindo todo mês, a população idosa tem acesso maior a empréstimos nos bancos. E acabam tomando crédito para filhos, netos e sobrinhos.

    O medo de ser abandonado é um dos principais motivos para que os idosos cedam aos pedidos da família para fazer empréstimos. O resultado disso aparece nos dados exclusivos da Serasa levantados para a CNN.

    Segundo o levantamento, entre maio de 2019 e maio de 2023, o crescimento da inadimplência entre idosos subiu 32,7%, praticamente o triplo da média de inadimplência nacional, que teve alta de 13,4% no período.

    “Saímos de uma pandemia recentemente. Nesse período, muitos aposentados acabaram sustentando a família por meio do crédito consignado. Faziam o empréstimo para bancar o filho desempregado, por exemplo. E se endividaram por conta disso. Foi algo que impactou bastante a vida do aposentado. Como o prazo, na maioria das vezes, é longo, isso reflete no endividamento deles hoje.”, diz Milton Cavalo, vice-presidente do Sindicato dos Aposentados e Pensionistas.

    Segundo os últimos dados da Serasa, entre 2019 e maio deste ano, o número de idosos inadimplentes subiu 32,7% enquanto a média da população cresceu 13,4%. Hoje são 12,7 milhões de pessoas com mais de 60 anos com dívidas em atraso, 3 milhões a mais que em 2019.

    O aumento do custo dos planos de saúde e também dos medicamentos nesse período só piora a situação porque aperta ainda mais o orçamento. Outro problema: a maioria desconhece os juros que paga na operação.

    “Muitas vezes o aposentado só vê o valor da prestação e não vê o juro que está embutido ali. Então, ele tem que procurar – já que ele vai se endividar – instituições que ofereçam taxas de juros menores. Tem que saber o que ele está pagando de juros, qual a taxa e quais são os valores que ele está pegando empréstimo”, diz Cavalo.

    Segundo ele, o medo de falar não e ser abandonado pela família leva muitos para listas de inadimplentes da Serasa ou do SPC. Empréstimos que foram tomados para terceiros e que não foram pagos.

    “A gente já viu casos de netos pressionar um dos avós porque a namorada queria fazer uma cirurgia plástica. Existem vários tipos de casos que são absurdos. O aposentado e pensionista precisa saber qual a necessidade de se tomar o empréstimo, porque se endividar nunca é bom. Quando isso acontece, tem que ser realmente em situações de emergência, como no caso de uma doença ou de desemprego.”

    A partir de setembro, quem está com dívida atrasada vai poder renegociar o empréstimo por meio do programa “Desenrola” do governo. Poderão ser negociadas dívidas de até R$ 5 mil. O foco são inadimplentes com renda mensal de até dois salários mínimos ou que tenham inscrição no Cadúnico.

    Mas não é preciso esperar até lá. Vários bancos têm feito seus próprios feirões de renegociação presencial e até on-line, por meio de sites e aplicativos. Há diversas ofertas para incentivar o pagamento das parcelas atrasadas.

    A Caixa Econômica Federal, por exemplo, está com uma campanha de renegociação com desconto de até 90% para pagamentos à vista sobre o valor da dívida. Também é possível negociar novas condições de financiamento com prazos de até 96 meses. Não é só o consumidor que quer se ver livre das dívidas atrasadas.

    Os bancos também querem diminuir a inadimplência da carteira geral de crédito. E pode ser uma boa oportunidade para conseguir condições que facilitem a quitação da dívida.