Insistência em manter Correios é estratégia política, avalia especialista

Ao CNN Novo Dia, Gesner Oliveira defendeu que insistência em manter a estatal serve para preservar área de influência e cargos para nomeações políticas

Da CNN Brasil
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A manutenção dos Correios como empresa estatal tem sido alvo de críticas por especialistas que apontam motivações políticas por trás da resistência à sua privatização. Em entrevista ao CNN Novo Dia nesta terça-feira (30), Gesner Oliveira, professor da FGV e sócio da GO Associados, afirmou que a insistência em manter a empresa sob controle do Estado tem custado caro aos cofres públicos.

 

Segundo o especialista, os Correios já deveriam ter sido privatizados há cerca de 30 anos. "Infelizmente, a única explicação para o salvamento dos Correios, que tem custado tanto, eu diria que é a privatização", declarou.

Segundo o especialista, a decisão de manter a empresa estatal está diretamente ligada a interesses políticos. "A insistência em manter a empresa, a insistência em gastar recurso com algo que não tem grande perspectiva, decorre do objetivo de manter uma área de influência, de manter cargos para nomeação política", explicou.

Interferência política e má administração

Gesner ressaltou que a interferência política na gestão dos Correios tem efeito direto na piora da situação financeira da empresa. Segundo ele, muitas das nomeações para cargos de direção "não guardam nenhuma relação com competência profissional, com capacidade de realmente gerir bem uma empresa".

O professor destacou que essa prática resulta em má administração, fazendo com que o rombo financeiro da empresa aumente progressivamente.

Embora tenha feito questão de ressalvar que existem funcionários competentes e dedicados na instituição, Gesner apontou que, no conjunto, a manutenção dos Correios como estatal representa "um custo para o país e mais um ralo para recursos públicos tão escassos e preciosos".

A discussão sobre o futuro dos Correios tem sido recorrente nos últimos anos, com propostas de privatização sendo apresentadas e posteriormente abandonadas por diferentes governos. Enquanto defensores da privatização argumentam que a empresa poderia ser mais eficiente sob gestão privada, críticos temem impactos na universalização dos serviços postais, especialmente em regiões remotas do país.

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