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    Investimentos sauditas no Brasil podem ser ainda maiores, diz presidente da Câmara de Comércio Árabe-Brasil à CNN

    Osmar Chofi destacou que a Arábia Saudita tem sido um parceiro comercial estratégico do Brasil no mundo muçulmano há anos

    Osmar Chohfi, presidente da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira
    Osmar Chohfi, presidente da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira Divulgação

    Diego Mendesda CNN

    São Paulo

    O presidente da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, Osmar Chohfi, disse à CNN que os investimentos árabes no Brasil certamente poderiam ser maiores, principalmente pelo lado saudita.

    Segundo ele, os países árabes efetivaram, entre 2004 e 2019, um total de US$ 13,71 bilhões em investimentos no Brasil. Desse montante, os sauditas foram responsáveis por US$ 1,69 bilhão, menos do que aportaram, por exemplo, no Bahrein e na Argélia.

    “Os sauditas já estão no Brasil há anos buscando posições de seu interesse, sobretudo em negócios relacionados à segurança alimentar. Fundos do vizinho Emirados Árabes Unidos já estão com posições em infraestrutura, serviços médicos, refino de petróleo, produção de químicos e até em redes de academias de ginástica”, mostrou.

    Ele acredita ser necessário que o Brasil proponha negócios aos sauditas para além do agronegócio, em áreas como economia verde, crédito de carbono, pesquisa científica relacionada à biodiversidade, energia limpa, infraestrutura, que também interessam os árabes.   

     

    Chohfi destaca o plano governamental da Arábia Saudita de transição da economia local para a era pós-petróleo chamado Visão 2030, que tem como meta reduzir a dependência de proteína avícola importada de 60% para 40% até 2030 — o que só será atingido com a ampliação da disponibilidade de grãos, insumo básico da produção de frango.

    “Há interesse, portanto, em fomentar localmente a produção de grãos nas áreas do país onde o cultivo é possível, o que será feito com cultivares adaptadas aos rigores climáticos do país, setor em que certamente temos expertise para contribuir por meio das nossas Embrapas”, afirma. 

    Chohfi destaca ainda que os sauditas têm, por meta, ser neutros em emissão carbono até 2060, o que será atingido, inclusive, via plantio de florestas na Península Arábica, novamente, diz ele, “outra área em que podemos colaborar com biotecnologia”.

    “O etanol brasileiro, sobretudo a versão de segunda geração, também poderia ser de grande ajuda nesse processo de descarbonização”, pontua. 

    Relações comerciais 

    O presidente da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira ressalta que os sauditas têm sido um parceiro comercial estratégico do Brasil no mundo muçulmano há anos.

    Entre os países da Organização para Cooperação Islâmica (OCI), a Arábia Saudita foi um dos primeiros países a aquirir frango de padronização muçulmana (halal) do Brasil no fim dos anos 1970.

    “A transação foi tão importante que deu início a um intenso comércio de alimentos com o mundo muçulmano até o ponto em que o Brasil se tornou o maior exportador mundial de proteínas animais de padronização halal. Todos os anos, destinamos 11,1% da produção total de frango e 3,9% da produção total de carne bovina aos países da OCI”, destaca Chohfi.

    Ele revela que o Brasil se tornou também o principal fornecedor de alimentos e bebidas desse bloco de países, tendo enviado, só no ano passado aos países da OCI, um total de US$ 23,41 bilhões em gêneros alimentícios, desbancando concorrentes muito fortes, como Estados Unidos, Indonésia, Turquia e outros.

    A Arábia Saudita está entre os principais parceiros comerciais brasileiros na OCI. Em 2022, o Brasil exportou ao país árabe US$ 2,9 bilhões em mercadorias como frango, proteína bovina, grãos, frutas, café e outros produtos do agro. Mas, a relação com o país não se limita ao comércio de commodities alimentares.

    “Empresas brasileiras têm investimentos importantes na Arábia Saudita. A BRF já tem duas fábricas por lá, além de uma joint-venture efetivada com a companhia saudita especializada em alimentos halal HDPC, controlada pelo fundo soberano saudita Public Investment Fund. A Seara também já tem uma planta no país operando e outra em construção. O fundo de investimento saudita Salic também tem posições importantes em empresas do agro brasileiro, como BRF e Minerva. Temos, portanto, uma relação econômica forte dos dois lados, e somos parceiros na segurança alimentar do povo saudita.”

    Fundo soberano   

    Na Arábia Saudita, o Fundo de Investimento Público (PIF) é o principal fundo de riqueza soberana do país. É conhecido também como o Fundo Soberano, responsável pelos principais investimentos do país.

    Conforme Chohfi, as estatísticas de investimento direto têm, em geral, um atraso de dois a três anos entre seu anúncio e sua efetivação, de forma que possam ser contabilizadas pelos bancos centrais e pelas consultorias especializadas em investimentos.

    “Sabemos, portanto, o estoque de investimento até 2021. Sabemos também que, depois desse ano, houve muitos anúncios de investimento que ainda não entraram na contabilização oficial. Além disso, tivemos no início do ano a visita inédita da maior missão saudita já realizada ao Brasil focada na promoção de investimentos bilaterais. A delegação saudita tinha mais de 90 integrantes, entre membros do governo saudita e empresários do país. Certamente há perspectiva de aumento nos números, portanto, é difícil estimar o incremento com precisão. O que podemos dizer é que o ambiente de negócios está aquecido, e há interesse dos dois lados.”

    A Arábia Saudita vê no Brasil um parceiro estratégico de suma importância na área de segurança alimentar e um parceiro potencial nas estratégias de descarbonização do país árabe, disse Chohfi.

    Mas, segundo ele, ainda há espaço para colaborar em outras áreas, dado a sinergia, por exemplo, no interesse em produzir hidrogênio verde e demais energias renováveis, no desenvolvimento de cadeias produtivas descarbonizadas.

    “Há também a viabilização de negócios bilaterais relacionados ao grande mercado consumidor brasileiro, nos negócios relacionados ao esporte, aos jogos eletrônicos, até no turismo, setor em que sauditas e brasileiros têm interesse em desenvolver”, revela Chohfi.

    Veja também: Congresso na Arábia Saudita discute tendências para a economia global