Como proteger o patrimônio da inflação no segundo semestre?

Especialistas explicam quais ativos ajudam a preservar o poder de compra em um cenário de juros elevados, inflação persistente e maior volatilidade nos mercados

Mariana Suzuki, colaboração para a CNN Brasil*
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Com a inflação acima da meta e a perspectiva de juros elevados por mais tempo, preservar o poder de compra voltou a ser uma das principais preocupações dos investidores. 

Além disso, o cenário segue marcado por incertezas fiscais, tensões geopolíticas e pela aproximação das eleições, fatores que exigem cautela na hora de montar a carteira de investimentos.

Segundo Tatiana Pinheiro, consultora econômica e pesquisadora da FGV EESP, o cenário macroeconômico mudou ao longo de 2026 e passou a exigir uma política monetária mais restritiva por um período maior do que o esperado.

“O choque nos preços da energia provocado pelo conflito no Oriente Médio elevou a inflação e seus efeitos tendem a persistir. Além disso, fatores como a fragmentação geopolítica e os desafios fiscais mantêm a expectativa de juros elevados por mais tempo”, explica.

Esse ambiente reforça a importância de ativos capazes de proteger o patrimônio da inflação. Marilia Fontes, apresentadora da Resenha do Dinheiro e economista, explica que os títulos públicos atrelados ao IPCA seguem entre as principais alternativas para quem busca proteger o patrimônio da inflação. 

“O principal ativo de renda fixa para proteção contra a inflação é o título IPCA+. Levando o investimento até o vencimento, o investidor preserva seu poder de compra porque recebe a variação do IPCA acrescida de uma taxa real de juros”, afirma.

Além dos títulos públicos, outros ativos também podem contribuir para reduzir os efeitos da inflação sobre a carteira. Para a apresentadora, fundos imobiliários com receitas corrigidas por índices de preços ou pelo CDI também figuram entre as alternativas para esse momento.

“Os fundos imobiliários (FIIs) também funcionam como uma proteção contra a inflação, principalmente aqueles com receitas corrigidas por índices de preços. Além disso, os rendimentos mensais costumam ser isentos de Imposto de Renda para o investidor pessoa física”, destaca.

Outra estratégia é manter parte do patrimônio exposta ao mercado internacional. Investimentos atrelados ao dólar tendem a ganhar relevância em períodos de maior pressão inflacionária e ajudam a reduzir a perda do poder de compra da moeda brasileira.

Um dos erros mais frequentes é buscar proteção apenas quando a inflação já está pressionando os preços ou concentrar a carteira em uma única classe de ativos. 

A aproximação das eleições também tende a aumentar a volatilidade dos mercados, já que mudanças nas expectativas em relação à condução da política fiscal costumam influenciar os preços dos ativos e o humor dos investidores.

Para a pesquisadora, o contexto exige uma carteira diversificada e alinhada aos objetivos de longo prazo, em vez de decisões baseadas em eventos pontuais. 

“Enquanto o cenário continuar apontando para juros reais elevados e uma convergência mais lenta da inflação à meta, ativos indexados à inflação seguem entre os principais instrumentos para preservar o patrimônio ao longo do tempo”, afirma.

Resenha do Dinheiro

Realizado com o apoio da B3 e da gestora de investimentos BlackRock, o programa é apresentado por Thiago Godoy, o “Papai Financeiro”, Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos; Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb e propõe uma abordagem leve, direta e descomplicada sobre temas ligados a educação financeira e investimentos. A atração aborda semanalmente os principais temas da economia com a informalidade de uma conversa entre amigos — sem abrir mão da análise.

A Resenha do Dinheiro vai ao ar todas as sextas-feiras, às 19h, no canal do CNN Money no YouTube e aos domingos, às 15h, na CNN Brasil.

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