Ano eleitoral traz volatilidade; saiba como proteger ativos
Corrida pelo Planalto ocorre sob a sombra da escalada da dívida e da guerra no Irã

Os investidores acompanham de perto o avanço da disputa pelo Palácio do Planalto. A questão fiscal é a principal preocupação, com a trajetória crescente da dívida e com a pressão sobre os gastos discricionários da União.
A face pública do problema são as taxas de juros que os credores do governo exigem para financiar a dívida.
Quanto maior for a desconfiança do mercado, mais alto será o prêmio de risco para comprar novos títulos. Ainda assim, há um impacto direto, também, nos ativos de renda variável.
Segundo Marilia Fontes, especialista em renda fixa e apresentadora da Resenha do Dinheiro, há ativos que estão mais expostos ao problema.
Principalmente aqueles de companhias que dependem de crédito nas operações diárias e as empresas que estão sob controle direto do governo.
“Estatais como Petrobras e Banco do Brasil tendem a ter um controle maior do Estado e a oscilar conforme as expectativas sobre o papel do governo. Já companhias ligadas ao crédito e ao crescimento, podem se beneficiar de cenários de queda de juros”, afirma Marilia.
A dinâmica das pesquisas eleitorais também deve seguir como um dos principais estímulos de curto prazo para o mercado.
“Conforme as pesquisas vão para um lado ou para o outro, o mercado também reage. É um movimento típico de ano eleitoral”, afirma Marilia.
O fato de os principais nomes do cenário político já serem conhecidos tende a reduzir o risco de rupturas mais bruscas.
“Como o mercado já conhece candidatos como Lula e Flávio Bolsonaro, há menos incerteza sobre o funcionamento da política econômica”, complementa.
Cautela no cenário político
Apesar do aumento da volatilidade, Rodrigo Sgavioli, head de alocação da XP, analisa que o investidor não deve acompanhar só o calendário eleitoral nas suas decisões de investimento.
“Fatores individuais continuam sendo mais determinantes para a construção de portfólios do que oscilações políticas pontuais”, aconselha.
Rodrigo também observa o grau de incerteza do cenário eleitoral, marcado por polarização entre os principais candidatos, o que reduz a previsibilidade dos movimentos de mercado.
“Quem tomar decisão com base na crença de que um lado vai ganhar pode sofrer impactos, pois a eleição tende a ser muito apertada, próxima de um 50-50”, diz.
Segundo ele, variáveis globais como fluxo de capital, inflação e crescimento econômico têm desempenhado papel central no desempenho dos mercados.
Resenha do Dinheiro
Realizado com o apoio da B3 e da gestora de investimentos BlackRock, o programa é apresentado por Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos; Thiago Godoy, o "Papai Financeiro"; Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb; e propõe uma abordagem leve, direta e descomplicada sobre temas ligados a educação financeira e investimentos.
O programa vai abordar semanalmente as principais notícias e movimentos da economia com a leveza de uma conversa informal — como uma resenha entre amigos, no boteco ou após o futebol — mas sem perder a análise e o conteúdo.
A Resenha do Dinheiro vai ao ar todas as sextas-feiras, às 19h, no canal do CNN Money no YouTube e aos domingos, às 15h, na CNN Brasil.


