Juros altos desestimulam a expansão planejada, diz professora

Vera Bermudo, da FGV, analisa, ao CNN Prime Time, o pedido de recuperação judicial da varejista e aponta descolamento no capital circulante como problema central

Da CNN Brasil
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As Casas Bahia apresentaram pedido de recuperação judicial, via fato relevante, no domingo (16). A situação da companhia, segundo Vera Bermudo, professora de finanças da FGV, ao CNN Prime Time é resultado de um somatório de fatores que se agravaram ao longo do tempo, especialmente após a recuperação extrajudicial realizada em 2024.

Descolamento no capital circulante

O principal problema identificado por Bermudo é o grave descolamento no capital circulante líquido da empresa.

"Os ativos circulantes que ela tem são menores do que o passivo circulante que ela tem", explicou. Na prática, isso significa que, mesmo que a companhia vendesse todos os seus bens e direitos de curto prazo, ainda assim não conseguiria quitar suas dívidas de curto prazo.

Bermudo destacou que essa situação tem raízes na recuperação extrajudicial de 2024, quando as dívidas foram alongadas para o longo prazo a fim de dar tempo à empresa para se reorganizar.

"Não feito isso, o que acontece agora é que as dívidas viram para o curto prazo", afirmou. As medidas estruturais necessárias para sanear a companhia — como o fechamento de lojas e a redução de custos — não foram adotadas naquele momento, o que agravou progressivamente a situação.

Fechamento de lojas e demissões

Entre as consequências já anunciadas, estão o fechamento de aproximadamente 300 lojas e a demissão de cerca de 3 mil funcionários. Bermudo reconheceu o impacto humano dessas medidas, mas ponderou que tais ações já eram esperadas desde 2024 e que a ausência delas contribuiu para o aprofundamento da crise.

"Dado o cenário que se encontra as Casas Bahia, isso era algo já esperado há dois anos atrás, quando da recuperação extrajudicial e que não foi feita", disse.

Sobre as prioridades de pagamento durante o processo de recuperação judicial, Bermudo explicou que o regramento legal estabelece uma ordem clara: dívidas trabalhistas, impostos e fornecedores têm precedência, enquanto os acionistas são os últimos a receber.

A empresa, por sua vez, continua em funcionamento durante o processo.

Juros altos e expansão mal planejada

Questionada sobre os fatores estruturais que levaram a companhia a essa situação, Bermudo apontou a combinação entre o ambiente de juros elevados e decisões de gestão inadequadas. "Os juros altos não ajudam o varejo, isso é fato", afirmou.

No entanto, ressaltou que as empresas precisam ter parcimônia ao se endividar em cenários de juros altos e que planos de expansão devem ser muito assertivos. Além disso, destacou que a eficiência operacional — gastar menos do que se arrecada — é um princípio fundamental que deve estar sempre presente na gestão empresarial.

"Foi um somatório de elementos que levaram as Casas Bahia até esse momento, infelizmente", concluiu.

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