Alguns bilionários continuam evadindo sistemas tributários e jogam Estados uns contra os outros, diz Haddad

Ministro da Fazenda enfatizou que documento propondo taxação de grandes fortunas será "histórico"

João Nakamura, da CNN, São Paulo
Ministro da Fazenda, Fernando Haddad  • 28/12/2023 - REUTERS/Adriano Machado
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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, parabenizou nesta quinta-feira (25) o esforço internacional pela taxação dos super-ricos, em discurso durante o 3º encontro entre ministros das Finanças e presidentes de Bancos Centrais do G20.

"Vários países, incluindo o Brasil, estão se esforçando para fortalecer sua capacidade fiscal, ao mesmo tempo em que procuram atender as aspirações legítimas de suas
populações por justiça social e serviços públicos de alta qualidade", disse Haddad.

"Enquanto isso, alguns poucos bilionários continuam evadindo os nossos sistemas tributários, jogando os Estados uns contra os outros, utilizando brechas para evitar o
pagamento da sua justa contribuição em impostos, e minando capacidades das autoridades públicas", enfatizou o ministro da Fazenda.

A expectativa é de que o encontro resulte em uma declaração em conjunto, entre essas autoridades do G20, endossando um mecanismo de taxação progressiva.

De acordo com a secretária de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda e coordenadora da trilha de finanças do G20, Tatiana Rosito, todas as propostas apresentadas pelo Brasil na área tributária estarão nos documentos finais da reunião, incluindo o plano para uma taxação mínima global sobre os super-ricos.

Haddad enfatizou que a declaração final será um documento histórico. "É a primeira vez que nós, ministros da trilha de Finanças do G20, falamos em uníssono sobre uma série de questões relativas à cooperação tributária internacional, desde o progresso na agenda de BEPS até a transparência tributária, incluindo a tributação dos super-ricos", pontuou Haddad.

A "agenda BEPS" (Base Erosion and Profit Shifting, em português Erosão de Base e Transferência de Lucros) mencionada por Haddad se refere a essas políticas de transferência de renda.

"Devemos tributar mais os ricos e menos os pobres, melhorando a eficiência global e a legitimidade democrática do sistema tributário", apontou o ministro da Fazenda.

A proposta do Brasil - que preside o grupo das 20 maiores economias do mundo neste ano - é de cobrar um imposto de 2% sobre fortunas acima de US$ 1 bilhão. A expectativa de arrecadação é de US$ 250 bilhões anualmente, sobre a fortuna de 3.000 indivíduos.

"Seguindo em frente, devemos unir esforços para construir uma convenção-quadro ambiciosa nas Nações Unidas, sempre com o apoio inestimável da União Africana,
concluir a agenda BEPS, e avançar no sentido de um imposto mínimo global coordenado sobre os bilionários", concluiu Haddad.

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