Análise: Brasil será maior beneficiado com nova tarifa de 15% dos EUA
Análise de Gabriel Monteiro, ao CNN Novo Dia, indica que o país terá redução média de 13,5% nas tarifas de exportação para os EUA, maior queda entre todos os parceiros comerciais americanos
As tarifas globais de 15% impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, entram em vigor nesta terça-feira (24), representando uma significativa mudança na política comercial americana que beneficiará principalmente o Brasil.
Segundo análise de Gabriel Monteiro, ao CNN Novo Dia, o Brasil será o maior beneficiado com esta nova medida tarifária. O país, que anteriormente enfrentava uma tarifa média de 26,3% para exportar seus produtos aos EUA, passará a ter uma taxa de apenas 12,8%, representando uma redução de 13,5% - a maior queda entre todos os parceiros comerciais americanos.
"15% de taxas é vitória para o Brasil, porque tínhamos algumas taxas que superavam 40%-50%, eram as maiores do mundo junto com a Índia", apontou Monteiro.
"Essa é a pior derrota desde o início do governo de Donald Trump diante à Suprema Corte", destacou o analista. Como alternativa, o presidente americano recorreu à seção 122 da Lei de Comércio, que permite ao governo restringir temporariamente importações em momentos de alto déficit comercial - situação atual dos EUA, cujo déficit ultrapassa 1 trilhão de dólares anuais.
"Nestas situações, o governo dos Estados Unidos pode temporariamente assinar um documento para restringir as importações de produtos com tarifas que podem ir até 15%", explicou Gabriel Monteiro.
Acrescentando: "A partir de amanhã, por 150 dias, é temporário. Depois desse prazo, Donald Trump vai ver que conseguir uma reaprovação dessa medida no Congresso Nacional ou vai ter que utilizar outro instrumento para tarifar países do mundo".
Vantagens para o Brasil e desvantagens para aliados americanos
A medida beneficia especialmente países que não haviam fechado acordos comerciais com os Estados Unidos, como Brasil e Índia, que anteriormente sofriam com algumas das maiores tarifas do mundo. Por outro lado, nações que se apressaram em fechar acordos com Trump, como Japão, Coreia do Sul, Itália e Reino Unido, agora serão prejudicadas com o aumento de suas tarifas.
Alguns produtos brasileiros que anteriormente enfrentavam tarifas de até 50%, como máquinas, equipamentos e frutas, agora terão condições mais favoráveis para entrar no mercado americano. Além disso, certos produtos continuarão isentos de tarifas, incluindo minerais críticos, laranjas, fertilizantes, produtos farmacêuticos, carne bovina e alguns eletrônicos - com destaque para o suco de laranja brasileiro, importante item de exportação do país.
O cenário futuro dependerá dos resultados das eleições de meio de mandato nos EUA e da disposição do Congresso em aprovar novas tarifas, consideradas impopulares por muitos setores.


