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Análise: Prejuízo dos Correios é uma violência contra cofres públicos

Com estrutura inchada e modelo de negócios desatualizado, os Correios não demonstraram avanços significativos, diz Thais Herédia

Da CNN Brasil
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O prejuízo ligado à estatal Correios é uma "violência contra os cofres públicos "e questiona o modelo de negócios da companhia. A análise é de Thais Herédia durante o Fechamento de Mercado.

"É uma violência contra os cofres públicos, conta dinheiro dos contribuintes porque, no final das contas, o que está em discussão aqui é qual é o modelo de negócios. Qual foi a decisão que os governos deixaram de tomar esses anos todos, especialmente da pandemia pra cá, que provocaram esse prejuízo?", questionou a analista.

"Não é possível que seja culpa da taxa das blusinhas, o que está errado no modelo de negócios?", prosseguiu.

Os Correios acumularam um prejuízo de R$ 4,3 bilhões no primeiro semestre de 2025, levantando questionamentos sobre a eficiência e sustentabilidade da empresa estatal.

O resultado negativo demandará uma injeção de R$ 20 bilhões dos cofres públicos para equilibrar as contas da companhia.

A situação da empresa não é recente. Desde 2010, os Correios registraram prejuízos em diversos anos, incluindo 2013, 2014, 2015, 2016, 2022, 2023 e 2024, evidenciando um padrão preocupante de resultados negativos.

A analista de economia da CNN Brasil acrescentou que os Correios são hoje uma empresa "extremamente inchada", que conta com um modelo de negócios ultrapassado, e que continuou, ou acelerou, "decisões equivocadas".

"Qual o modelo de negócios dos Correios? Como ele investiu, como é que a empresa olhou para inovação, digitalização, agregação de serviços, aproveitamento da sua infraestrutura de uma outra forma, não há sinal de que isso aconteceu. Ao contrário, o prejuízo que nós estamos vendo aqui, vocês viram pelos números o que aconteceu nesses últimos três anos, não tem uma explicação só".

A empresa enfrenta desafios significativos relacionados à falta de inovação e modernização. Com uma estrutura considerada inchada e um modelo de negócios desatualizado, os Correios não demonstraram avanços significativos em áreas como digitalização e agregação de novos serviços.

O monopólio postal, tradicionalmente principal atividade da empresa, perdeu relevância com a revolução digital e o crescimento do comércio eletrônico. Grandes empresas do varejo desenvolveram suas próprias redes de distribuição, reduzindo a dependência dos serviços postais tradicionais.

Possíveis soluções

Especialistas apontam que a infraestrutura dos Correios possui potencial para ser reaproveitada em diversos setores, incluindo serviços financeiros. No entanto, alertam que a janela de oportunidade para uma possível privatização está se fechando, especialmente no setor de postagens.

A discussão sobre o futuro dos Correios exige uma análise técnica e pragmática, considerando aspectos como a universalidade do serviço e o atendimento em regiões remotas do país. O desafio está em encontrar um modelo que garanta eficiência operacional sem comprometer o acesso aos serviços essenciais.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNNClique aqui para saber mais.
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