Anúncio da BP é "promessa" e testes vão apontar viabilidade, diz Pires

Quantidade de gás carbônico no campo de petróleo descoberto na Bacia de Santos será determinante para viabilidade econômica do projeto, aponta diretor do CBIE

Da CNN Brasil
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O anúncio da britânica BP, nesta segunda-feira (4), da sua maior descoberta de petróleo e gás em 25 anos em águas profunda do pré-sal no litoral brasileiro trouxe nova luz às reservas do país.

Apesar das expectativas, especialistas ressaltam cautela diante dos desafios que ainda precisam ser superados para a comprovação da viabilidade econômica do campo.

Em entrevista ao CNN Money, Adriano Pires, diretor do CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura), afirmou que a descoberta da reserva na área de pré-sal ainda é uma "promessa", e que ainda será preciso cumprir uma série de testes até de fato a exploração se mostrar possível.

Entre as etapas, Pires destacou a necessidade de determinar a quantidade de CO2  — gás carbônico — presente no campo.

A presença de CO2 é um fator crítico para a viabilidade econômica do projeto. Como exemplo, Pires citou o campo de Libra, que possui 40% de gás carbônico e está em exploração, enquanto o campo de Júpiter, com 80% de CO2, permanece inviabilizado.

A separação do gás do petróleo e sua reinjeção no campo são processos complexos e determinantes para a produção, explicou o especialista.

Apesar do sentimento de cautela, Pires ressalta que a descoberta da medida reforça a importância da exploração do pré-sal.

"O pré-sal mostra que continua sendo a melhor fronteira para explorar petróleo e gás offshore do mundo. O Brasil continua sendo um protagonista importante no mercado", disse Pires, apontando que o país hoje é o 9º maior produtor de petróleo do mundo e caminha para ocupar a 5ª colocação.

A descoberta, realizada em área adquirida pela BP em 2022 através do regime de oferta permanente da ANP, representa uma promessa significativa para o setor petrolífero brasileiro.

O campo, que é 100% controlado pela BP, foi arrematado com uma oferta de 5,9% de óleo para a União, pouco acima do valor mínimo de 5,3%.

Se confirmada a viabilidade, a nova descoberta poderá contribuir para a produção brasileira de petróleo, embora o início da operação possa levar entre quatro e sete anos, pontuou o especialista.

A descoberta ocorre em um momento estratégico para a BP, que enfrenta desafios após investimentos em energia renovável não terem proporcionado o retorno esperado por seus acionistas.

Para o Brasil, o sucesso do projeto poderia significar incremento em receitas e royalties para estados, municípios e União.

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