Baixa presença em Davos mostra que Brasil mira cenário doméstico

Com apenas uma ministra representando país no Fórum Econômico Mundial, Roberto Uebel aponta que governo brasileiro está priorizando questões internas em ano eleitoral

Da CNN Brasil
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O governo brasileiro tem demonstrado uma presença cada vez mais tímida no cenário internacional, especialmente no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça.

Este ano, apenas Esther Dweck, ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, representará o país no evento, evidenciando uma postura que prioriza questões domésticas em detrimento da política externa.

Segundo Roberto Uebel, economista e professor de relações internacionais da ESPM, essa postura reflete uma estratégia clara do atual governo.

"Me parece que o governo brasileiro tem adotado uma postura nesse ano com uma perspectiva muito mais doméstica do que de fato pelas vias do multilateralismo pela política externa", afirmou durante entrevista.

O especialista destacou que essa não é a primeira vez que o Brasil adota tal posicionamento recentemente.

"A gente viu muito recentemente agora no último final de semana a assinatura do acordo Mercosul-União Europeia que o presidente Lula não foi, o único presidente que não foi", lembrou Uebel, mencionando também que o governo enviou apenas o chanceler Mauro Vieira, sem a presença do presidente.

Momento crucial para o posicionamento internacional

Para Uebel, o Brasil perde uma oportunidade importante em um momento em que o sistema internacional demanda a presença de economias emergentes e potências regionais.

"Seria o momento do Brasil se lançar como uma alternativa, principalmente para a atração de investimentos", explicou o economista, que também citou a baixa produtividade brasileira como um desafio que poderia ser enfrentado com parcerias estratégicas internacionais.

O professor ressaltou ainda o contraste com governos anteriores, lembrando que no primeiro mandato, Lula participou tanto do Fórum Social Mundial em Porto Alegre quanto do Fórum Econômico Mundial em Davos.

"Não seria inédita essa participação do governo brasileiro, do presidente brasileiro", comentou Uebel, reforçando sua hipótese de que o governo este ano prioriza a reeleição e o pleito eleitoral.

Impactos na imagem internacional do Brasil

Questionado sobre as consequências dessa postura para a imagem do Brasil no cenário internacional, Uebel alertou que estamos em um momento único em que os países são obrigados a tomar posicionamentos claros.

"Nós temos três grandes potências disputando uma hegemonia, Estados Unidos, China e Rússia", explicou, acrescentando que tanto investidores quanto governantes buscam que os países definam suas posições.

"Pode ser um posicionamento pragmático, diplomático, como o Brasil sempre adotou? Pode, mas isso precisa ficar manifestado, precisa ser explícito para esses atores", defendeu o economista, alertando que o Brasil entra num período de "stand-by" justamente quando é mais demandado internacionalmente.

Uebel concluiu que essa ausência ocorre em um momento crítico de fragmentação do multilateralismo, quando o Brasil precisaria marcar posição no cenário global, especialmente considerando os possíveis desdobramentos da política externa americana e eventuais conflitos geopolíticos e geoeconômicos entre Estados Unidos e Europa.

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