China pede a autoridades da UE que "lidem de forma adequada com atritos"

Xi Jinping criticou as recentes ações comerciais de Bruxelas contra Pequim, em uma cúpula tensa dominada por comércio e pela guerra na Ucrânia

Reuters
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O presidente da China, Xi Jinping, pediu às principais autoridades da União Europeia nesta quinta-feira (24) que "lidem de forma adequada com as diferenças e atritos", ao criticar as recentes ações comerciais de Bruxelas contra Pequim, em uma cúpula tensa dominada por comércio e pela guerra na Ucrânia.

As expectativas eram baixas para a cúpula na capital chinesa, que marcou 50 anos de laços diplomáticos, após semanas de tensão crescente e disputas que levaram a duração a ser abruptamente reduzida pela metade para um único dia, a pedido de Pequim.

"Os desafios atuais enfrentados pela Europa não vêm da China", disse Xi à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e ao presidente do Conselho Europeu, António Costa, em visita ao país, segundo a agência de notícias estatal Xinhua.

Ele pediu que a UE "adira à cooperação aberta e lide de forma adequada com as diferenças e atritos", depois que von der Leyen pediu anteriormente um reequilíbrio dos laços comerciais com a segunda maior economia do mundo, dizendo que as relações estavam em um "ponto de inflexão".

"A melhora da competitividade não pode se basear na 'construção de muros e fortalezas'", acrescentou Xi, segundo a Xinhua. "Desacoplar e quebrar cadeias só resultará em isolamento".

"Espera-se que o lado europeu mantenha o mercado de comércio e investimento aberto e se abstenha de usar ferramentas econômicas e comerciais restritivas", disse Xi.

As ações comerciais da UE no ano passado tiveram como alvo as exportações chinesas de veículos elétricos, entre outros produtos, e suas autoridades têm reclamado repetidamente sobre o excesso de capacidade industrial chinesa.

Xi também alertou os líderes da UE para que "façam escolhas estratégicas corretas", em uma nova crítica velada à recente postura agressiva de Bruxelas em relação à China.

"Conforme nossa cooperação tem se aprofundado, também têm aumentado os desequilíbrios", disse von der Leyen a Xi durante a reunião no Grande Salão do Povo em Pequim, de acordo com um relato.

"Chegamos a um ponto de inflexão", acrescentou ela, pedindo à China que "apresente soluções reais".

Ela estava se referindo ao déficit comercial da UE com a China, que aumentou para um valor histórico de 305,8 bilhões de euros no ano passado.

"Acreditamos que aumentar o acesso ao mercado para as empresas europeias na China, limitar o impacto externo da involução e reduzir os controles de exportação são passos importantes", disse von der Leyen ao primeiro-ministro Li Qiang mais tarde.

Ela descreveu sua reunião com Xi como "excelente".

Os dois lados também emitiram uma declaração conjunta sobre clima, reiterando seu compromisso com novos planos de ação climática em toda a economia.

Costa disse que as autoridades da UE discutiram "longamente" suas expectativas de que a China desencoraje a Rússia em sua guerra contra a Ucrânia.

"Pedimos à China que use sua influência sobre a Rússia para respeitar a carta das Nações Unidas e pôr fim à sua guerra de agressão", disse Costa a Xi anteriormente.

O período que antecedeu a cúpula foi marcado por disputas comerciais e retórica europeia agressiva, como a acusação feita por von der Leyen, em 8 de julho, de que a China estaria inundando os mercados globais como resultado de seu excesso de capacidade e "possibilitando a economia de guerra da Rússia".

Em uma publicação no X, no entanto, ela adotou um tom mais conciliatório nesta quinta-feira, dizendo que a cúpula oferecia uma oportunidade de "avançar e reequilibrar nosso relacionamento".

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