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CNI entra na Justiça para participar do processo da Margem Equatorial

Na ação que tramita na Justiça Federal do Pará, Ministério Público Federal tentar adiar exploração de petróleo na região

Vitória Queiroz, da CNN Brasil, Brasília
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A CNI (Confederação Nacional da Indústria) protocolou pedido na Justiça Federal do Pará para participar de ação civil pública movida pelo MPF (Ministério Público Federal) contra o leilão que demarcou blocos para extração de petróleo na Margem Equatorial.

O órgão público acionou a Justiça para tentar adiar a licença emitida pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis) à Petrobras.

No pedido apresentado na última terça-feira (16) à 9ª Vara Federal Ambiental e Agrária da Justiça Federal do Pará, a CNI pede para participar do processo como amicus curiae (parte interessada).

A entidade alega que a exploração na Margem Equatorial não é apenas uma atividade econômica, mas também “um imperativo de desenvolvimento nacional e justiça social”. 

“Como forma de garantir a segurança jurídica, é preciso que o Poder Judiciário atue, nos limites da sua capacidade institucional, com deferência em relação às decisões técnicas da administração pública, e só interfira ou revise atos administrativos em uma situação de ostensiva ausência de razoabilidade ou a flagrante ilegalidade do que foi objeto de decisão administrativa”, diz o diretor Jurídico da CNI, Alexandre Vitorino, em nota.

O MPF quer impedir qualquer etapa de licenciamento ambiental pelo Ibama para os blocos arrematados até que sejam realizados estudos estratégicos e consultas obrigatórias. Entre as exigências estão o EIC (Estudo de Impacto Climático), a AAAS (Avaliação Ambiental de Área Sedimentar) e levantamentos sobre povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais.

Para a CNI, impedir a exploração da Margem Equatorial compromete o financiamento da transição energética e a busca por soluções inovadoras. 

“Não há dúvidas de que a produção de petróleo na região viabilizará recursos que poderão melhorar a segurança energética do Brasil, abrir caminhos de transição para a economia verde e a descarbonização e, principalmente, promover avanços sociais e na infraestrutura dos estados que compõem a Margem Equatorial”, afirma a entidade.

Dados do Observatório Nacional da Indústria indicam que a exploração do petróleo na região tem potencial de criar mais de 326 mil empregos formais. De acordo com a CNI, a extração pode adicionar R$ 65 bilhões ao PIB (Produto Interno Bruto) e acrescentar R$ 3,87 bilhões em tributos indiretos.

“É imperioso refutar a tese de que a exploração de petróleo na Margem Equatorial seria antagônica aos compromissos climáticos do Brasil. Ao contrário, a doutrina econômica moderna e o planejamento estratégico estatal indicam que não há tecnologia acessível e escalável para uma transição energética imediata. O setor de petróleo e gás faz parte das possíveis soluções, não há dúvidas”, diz a petição da CNI.

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