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Copom explícito sobre corte de juros em março surpreende mercado

Por outro lado, analistas avaliam que comunicado buscou trazer elementos que balanceassem tom para transmitir cautela

João Nakamura, da CNN Brasil, em São Paulo
Sede do Banco Central em Brasília
Sede do Banco Central em Brasília  • 11/06/2024 - REUTERS/Adriano Machado
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Na decisão de juros desta quarta-feira (28), os diretores do Banco Central do Brasil foram explícitos ao sinalizar que, se a realidade não fugir de suas previsões, a taxa de juros deve começar a cair em março.

"Em ambiente de inflação menor e transmissão da política monetária mais evidentes, a estratégia envolve calibração do nível de juros. O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta", escreveu o Copom (Comitê de Política Monetária) no comunicado da decisão que manteve a Selic em 15% ao ano.

Economistas ouvidos pelo CNN Money foram unânimes ao apontar que foram surpreendidos pela clareza como o BC anunciou a flexibilização vindoura da política monetária.

"Esta foi a parte mais surpreendente do comunicado, superando a minha expectativa inicial de que o sinal para o início dos cortes não seria tão explícito", escreveu em nota José Marcio Camargo, economista-chefe da Genial Investimentos.

"A mudança no tom sugere que o Banco Central adquiriu maior confiança na efetividade da política monetária e na trajetória de redução da taxa neste momento."

Para Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos, "o comunicado foi um pouco mais dovish", o "mais suave" no jargão da política monetária, ao realizar o apontamento explícito.

Comunicado balanceado

Ainda assim, o Copom buscou reforçar cautela quanto ao corte de juros, por vias explícitas e outras menos.

Além de deixar claro em palavras que o cenário externo, a desancoragem das expectativas, a resiliência da inflação de serviços e a política fiscal seguem no seu radar; o colegiado manteve inalterada sua estimativa para a inflação no horizonte relevante.

"Essa forma de ser contraditório é intencional [...], querendo sinalizar que não é uma coisa extrema, que vai ser comedido e não vai acelerar", afirmou em entrevista ao CNN Money Fabio Kanczuk, diretor de Macroeconomia do ASA e ex-diretor do BC.

O Copom manteve suas estimativas para o horizonte relevante da política monetária - período futuro que toma como referência para seu trabalho -, projetando um IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de 3,2% para o terceiro trimestre de 2027. Segregadas, porém, as estimativas para preços livres e administradas foram reduzidas para 3,1% e 3,3%.

Para o também ex-diretor do BC, Luiz Fernando Figueiredo, a autoridade monetária inicia uma flexibilização cautelosa, dando perspectiva para juros que ainda serão contracionistas ao final do ciclo.

"A intenção é ter uma política monetária ainda contracionista, mas em um outro nível. [Os diretores do BC] vieram muito firmes, muito duros até agora. Mas ainda não dá para ser agressivo com a projeção a 3,2%, dá para começar a distensionar, mas tem que ser com calma", pontua Figueiredo.

Em nenhum momento, porém, o Copom deixa claro qual será o tamanho do corte a ser realizado na Selic. Os ex-diretores sublinham que isso faz parte do "estilo" do colegiado.

Kanczuk explica que "o jogo do Banco Central é não deixar o mercado se animar demais". Se o BC for claro demais sobre a trajetória dos cortes, a curva de juros futuros - cujas referências são utilizadas para o mercado operar preços de contratos e afins - cai demais e a política monetária se torna menos efetiva.

A dúvida divide o mercado quanto à magnitude do corte.

"Em relação ao ritmo, permanece uma divisão entre 25 e 50 bps no diagnóstico. Dito isso, a apreciação do câmbio e a perspectiva de dados um pouco mais fracos referentes a dezembro tendem a fortalecer a hipótese de um corte de 50 bps, enquanto a possibilidade de 75 bps também passa a ganhar alguma probabilidade", pontua Victal.

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