É difícil ter unanimidade, mas torcemos, diz Alckmin sobre Mercosul-UE
Vice-presidente afirma que acordo é importante para “todo o mundo” em um momento de guerras e instabilidade global

O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, afirmou nesta quinta-feira (8) que a assinatura do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia é importante para “todo o mundo” em um momento de guerras e instabilidade global.
Segundo ele, é natural que não haja unanimidade em torno do tema.
“É difícil ter unanimidade. Torço para que a gente possa ter uma solução positiva. No que depender do Brasil, fizemos todo o trabalho para que isso ocorra”, disse Alckmin.
Na próxima sexta-feira (9), o tema avança no lado europeu, com a Comissão Europeia encaminhando formalmente o texto para apreciação dos Estados-membros.
Para que o acordo seja aprovado nessa etapa, é necessária maioria qualificada na Comissão, o equivalente a pelo menos 15 dos 27 países da União Europeia, desde que representem 65% da população do bloco.
Se superar essa fase, o texto segue para o Parlamento Europeu, que precisa dar seu consentimento para a continuidade do processo.
A principal resistência ao acordo vinha de alas conservadoras ligadas ao agronegócio da França e da Itália.
Após semanas de negociações em Bruxelas, no entanto, representantes do setor agrícola italiano passaram a afirmar que se consideram contemplados nos termos oferecidos.
Nesta semana, a Comissão Europeia propôs antecipar 45 bilhões de euros em recursos da União Europeia para agricultores no próximo orçamento plurianual do bloco e concordou em reduzir tarifas de importação sobre alguns fertilizantes, numa tentativa de atrair países ainda reticentes ao acordo com o Mercosul.
A França, porém, segue contrária à assinatura. O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou nesta quinta-feira (8) que o país votará contra o acordo, enquanto agricultores bloquearam estradas de acesso a Paris e pontos turísticos como o Arco do Triunfo em protesto contra o pacto.
Produtores franceses temem perda de competitividade dentro do bloco e um aumento das importações agrícolas caso o acordo Mercosul-União Europeia seja efetivamente assinado.
Países como Alemanha e Espanha se posicionam de forma favorável ao acordo, avaliando que o pacto amplia o acesso de suas indústrias e empresas de serviços a um mercado de mais de 260 milhões de consumidores no Mercosul.


