Em carta a Galípolo, Skaf diz que país atingiu "limite exaustivo"
BC manteve Selic em 15% ao ano pela sexta vez seguida

Após o Banco Central manter a taxa de juros no patamar de 15% ao ano, o presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf, encaminhou uma carta ao presidente da autoridade monetária, Gabriel Galípolo, apontando que o país está em um "limite exaustivo".
"Embora compreenda o rigor técnico que norteia as decisões desta autoridade monetária, é forçoso reconhecer que o Brasil atingiu um limite exaustivo. Tomo a liberdade de apelar também à sua sensibilidade: a manutenção de juros tão elevados impõe um prejuízo severo ao povo brasileiro", escreveu Skaf.
Desde 2022, a Selic é mantida acima de 10%. E desde junho de 2025, o BC mantém a taxa básica de juros em 15%, o maior nível atingido em 20 anos.
"No atual contexto, o prolongado período da taxa Selic neste nível gera um quadro de asfixia. Empresas sólidas sofrem desvalorização, a inadimplência cresce em níveis alarmantes e o incentivo ao investimento torna-se inexistente. Por que empreender, inovar ou expandir operações se o capital é mais bem remunerado na inércia da renda fixa?", questiona Skaf.
A taxa básica é o referencial para o mercado financeiro operar os juros de suas operações, que superam seu nível.
"É preciso observar, ainda, que o mercado e as famílias não operam sob a taxa básica. Na ponta final, o setor produtivo, o pequeno comerciante e o cidadão comum arcam com prêmios e spreads que tornam o crédito proibitivo. Torna-se cada vez mais difícil encontrar motivos para o adiamento de um ciclo de afrouxamento monetário, cujas condições já parecem consolidadas", pontua o presidente da Fiesp.
O presidente da entidade propõe à autoridade monetária um encontro institucional para debater "os rumos do Brasil e contribuir com a visão de setores produtivos para o desenvolvimento do país".


