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    Embraer espera receita líquida maior em 2023 com aumento de entregas

    Companhia também acredita em melhora gradual nas interrupções na cadeia de suprimentos

    Por Gabriel Araujo, da Reuters

    A fabricante de aeronaves Embraer espera que sua receita líquida aumente em 2023 frente ao ano anterior, à medida que projeta uma melhora gradual nas interrupções na cadeia de suprimentos e uma elevação nas entregas de aviões, disse a companhia nesta sexta-feira (10).

    A empresa afirmou que espera atingir uma receita líquida entre US$ 5,2 bilhões e US$ 5,7 bilhões neste ano, o que representaria um crescimento de até 27%. Em 2022, a Embraer atingiu o limite inferior de sua estimativa de receita, que variava entre US$ 4,5 bilhões e US$ 5,0 bilhões.

    A nova projeção vem no momento que a Embraer, a terceira maior fabricante de aeronaves do mundo — atrás de Boeing e Airbus –, mira no crescimento, após anos de recuperação devido à pandemia da Covid-19 e a uma fracassada transação com a Boeing em aviação comercial, disse o presidente-executivo, Francisco Gomes Neto, em entrevista à Reuters.

    “Nosso ‘turnaround’ foi concluído”, disse ele. “Depois da pandemia e do ‘deal’ com a Boeing, 2021 e 2022 foram anos de recuperação. A partir de 2023, teremos anos de crescimento.”

    A Embraer já havia divulgado entregas de 159 aeronaves em 2022, atingindo a meta de jatos executivos, mas ficando um pouco abaixo de sua projeção para jatos comerciais.

    O ano passado foi marcado por entregas concentradas no quarto trimestre e interrupções na cadeia de suprimentos, este um fator que Gomes Neto espera melhorar em 2023, embora uma normalização completa só deva ocorrer no ano que vem.

    Em 2023, disse a Embraer, a unidade de aeronaves comerciais deverá entregar de 65 a 70 jatos, ante 57 no ano passado, enquanto as vendas também devem apresentar forte desempenho, uma vez que o volume de viagens se recupera da pandemia. A companhia espera restaurar a carteira de pedidos ao nível anterior a 2020.

    Negócios recentes da Embraer incluem um pedido firme de seis jatos E195-E2 realizado pela companhia aérea de baixo custo SalamAir, de Omã, bem como um acordo para 20 aeronaves junto à Porter Airlines, do Canadá, um pedido de 15 E195-E2s de cliente não revelado e um novo pedido de cinco jatos da companhia espanhola Binter.

    “Há tempos não via um ‘pipeline’ (de vendas) como este”, disse Gomes Neto, acrescentando que espera outro quarto trimestre movimentado para a empresa em 2023, já que alguns problemas de abastecimento ainda estão à vista.

    As entregas de jatos executivos, por sua vez, devem saltar até 27,5% no ano, para um patamar entre 120 e 130, disse a empresa.

    A Embraer também manteve para este ano sua projeção de fluxo de caixa livre de US$ 150 milhões ou mais.

    Em 2022, a companhia começou com uma estimativa de US$ 50 milhões ou mais, mas acabou fechando o ano registrando um total de US$ 540 milhões.

    “Tivemos muitos desafios em 2022 — a guerra na Ucrânia, inflação, restrições na cadeia de suprimentos. Mas entregamos basicamente todas os ‘guidances'”, disse Gomes Neto. “Fluxo de caixa livre foi a cereja do bolo.”