Especialista: Audiência do tarifaço dos EUA depende do argumento do setor
O colunista do CNN Money José Pimenta avalia que setores produtivos devem usar "fatos e dados" para mostrar prejuízos das tarifas de 25% a empresas e consumidores americanos
Washington recebeu, nesta semana, representantes do setor produtivo brasileiro para uma audiência pública junto ao governo dos Estados Unidos, com o objetivo de discutir as novas tarifas de 25% impostas sobre produtos brasileiros.
O encontro ocorreu na sede da Trade Commission americana e marca uma etapa decisiva no processo de negociação em torno do chamado tarifaço.
José Pimenta, colunista do CNN Money, acompanhou pessoalmente a audiência em Washington e relatou o caráter predominantemente técnico dos diálogos. Segundo ele, as conversas giraram em torno dos impactos concretos que determinadas tarifas poderiam causar tanto para empresas quanto para consumidores norte-americanos.
Tom técnico marca os debates na Trade Commission
O formato da audiência consistiu em manifestações dos representantes do setor privado brasileiro, seguidas de perguntas feitas pelos representantes do departamento americano.
"O tom foi muito mais técnico em termos de o quanto que eventualmente uma tarifa específica para algum tipo de produto causaria algum tipo de dano para tanto o consumidor americano quanto para as empresas daquele setor", afirmou Pimenta.
Os setores se prepararam para responder a critérios previamente estabelecidos, como a possibilidade de substituição de produtos por outras nações e o impacto gerado pela ausência de determinados itens no mercado americano.
Pimenta destacou que a primeira parte da audiência foi concluída e que uma segunda sessão estava prevista para o dia seguinte, com novas manifestações e outras partes envolvidas. O processo, portanto, ainda não havia chegado ao fim no momento do relato.
Exclusão de produtos da lista é a principal aposta
Ao ser questionado sobre as perspectivas de um resultado menos negativo para o Brasil, Pimenta apontou dois pontos fundamentais.
O primeiro diz respeito à tarifa ampla sobre produtos brasileiros, que depende não apenas das audiências, mas também de negociações intergovernamentais bilaterais previstas para ocorrer até por volta do dia 15 de julho.
O segundo ponto, mais diretamente ligado ao que está sendo tratado nas audiências, envolve a possibilidade de incluir produtos específicos em uma lista de exclusão das tarifas.
"Você tem muito mais chance nesse primeiro momento de colocar produtos na lista de exclusão", avaliou Pimenta. Segundo ele, a estratégia central é demonstrar, com base em dados técnicos, que as tarifas trariam prejuízos não apenas às empresas brasileiras, mas sobretudo às empresas e aos consumidores norte-americanos. "Em última escala, quem vai ter que pagar por essa conta", concluiu o colunista.


