Europa paga preço maior com o não avanço de UE-Mercosul, diz especialista

Segundo Regiane Bressan, professora de Relações Internacionais da UNIFESP, em entrevista com o Agora CNN, o continente europeu está dividido pela guerra na Ucrânia e enfrenta relação difícil com os EUA

Da CNN Brasil
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O acordo comercial entre União Europeia e Mercosul, que estava previsto para ser assinado neste fim de semana, foi adiado para janeiro de 2024, gerando frustração entre os líderes do bloco sul-americano durante a cúpula presidencial do Mercosul realizada neste sábado.

De acordo com Regiane Bressan, professora de Relações Internacionais da UNIFESP, em entrevista ao Agora CNN, o adiamento representa um revés após 26 anos de negociações e intensos esforços diplomáticos recentes, especialmente pelo governo brasileiro.

"Realmente vivemos agora uma incerteza porque havia muita expectativa que o acordo fosse ratificado na cúpula presidencial do Mercosul na data de hoje. [...] Houve um ar de frustração, uma atmosfera de descontentamento, porque foram 26 anos de negociação, e, ao longo destes três anos de governo Lula, houve um empenho muito grande para negociar ao nível doméstico, assim como uma negociação muito próxima com a União Europeia", afirmou a especialista.

Acrescentando: "A frustração é grande, porque, a princípio, estamos cedendo mais que a União Europeia e mesmo assim eles estão descontentes".

Benefícios desiguais e resistências setoriais

Segundo Bressan, o acordo tende a privilegiar mais a União Europeia do que o próprio Mercosul, especialmente no setor industrial. "A princípio, o maior beneficiado europeu em relação aos setores seria o setor industrial. Lembrando que a Europa é bastante industrializada, sobretudo países como a Alemanha, como a própria Holanda, assim, esses setores seriam muito mais beneficiados do que o agronegócio do Brasil", explicou.

A professora destacou que, apesar disso, o agronegócio do Brasil e do Mercosul ganharia com o acordo, embora de forma limitada devido às medidas de salvaguarda e ao protecionismo da política agrícola comum europeia. Ela lembrou que o acordo prevê entre 10 e 15 anos de adaptação à liberalização comercial, além de novas salvaguardas estipuladas pelo Parlamento Europeu.

Contexto geopolítico desfavorável

A especialista apontou que a Europa está em posição mais vulnerável no cenário atual. "Certamente os europeus pagam um preço ainda maior, porque nós não podemos nos esquecer que atualmente a Europa está muito dividida pela guerra na Ucrânia, que já completa aí alguns aniversários, ou seja, a Europa vem sendo muito afetada por esse conflito e por uma relação difícil com os Estados Unidos", analisou.

Bressan também ressaltou que o Brasil e os países do Mercosul estão buscando diversificar suas parcerias comerciais, o que reduz a dependência do acordo com a União Europeia. "O Brasil não vai deixar de comercializar com a China e ampliar o comércio com os países asiáticos", alertou, reforçando a declaração do presidente brasileiro de que "nós não temos o tempo eterno para esperar a decisão da Europa".

A professora reconheceu as dificuldades institucionais europeias para avançar com o acordo, considerando que a União Europeia é formada por 27 países com interesses distintos. "É um processo de integração que acomoda muitos países com interesses distintos. Portanto, como analista, eu também reconheço que não é fácil caminhar tamanha heterogeneidade entre os países", concluiu.

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