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Excesso de energia é um "bom problema" para o Brasil, diz autoridade

Projeto Eloos, promovido pela Itatiaia em colaboração com a CNN Brasil traz à tona a visão de autoridades sobre o processo de transição energética

Da CNN Brasil
Nomes importantes do setor energético destacam futuro de transição no Brasil  • Phillipe Guimarães
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Ao participarem nesta segunda-feira (24 do Projeto Eloos, promovido pela Rádio Itatiaia junto à CNN Brasil, executivos do setor de energia comentaram sobre o atual desafio do país no segmento com relação aos gargalos de infraestrutura. A avaliação é de que o país precisa de investimentos mais robustos para se tornar mais competitivo, visto que a disponibilidade da matriz energética é alta.

Anderson Baranov, CEO da Norsk Hydro Brasil, deu início aos comentários do segundo debate do evento e assim como outras autoridades, citou a importância de valorizar a infraestrutura no processo de transição energética.

"Temos que investir em infraestrutura para que a gente possa usufruir desse potencial todo, de linhas de transmissão, etc", disse.

Na sequência, Alexandre Nogueira, CEO da Light, destacou o potencial energético do país, embora tenha ressaltado o grande problema do Brasil no setor. "Um fator muito competitivo em qualquer economia mundial chama-se potencial energético e isso o Brasil tem.", disse.

"Mas, nos últimos anos, teve uma grande entrada de energia sobretudo de características termitentes, solar e eólica. Isso faz com que um país com dimensões continentais onde há geração de painel solar muito incidente durante o dia, não faça com que a energia que está sendo produzida no Norte e Nordeste do país possa se escoar para grandes mercados consumidores como o Sul e Sudeste", destacou.

Renato Galuppo, Conselheiro de Administração da Petrobras, comentou sobre o possível perfil do consumidor do futuro diante das possíveis mudanças das Medidas Provisórias (MP) 1300 e 1304.

"A questão é que a gente não pode se ater só ao consumidor gerador porque nós temos uma massa de consumidores regulados", disse. O termo se refere a aqueles que compram energia elétrica diretamente da distribuidora local, com tarifas fixadas e fiscalizadas pelo governo.

Segundo ele, a grande novidade do projeto que tramita no Legislativo é a tentativa de ampliação do mercado. "Já existia o mercado livre para o grande consumidor mas para os regulados ainda não existia, isso é uma tendência mundial e acho que vai ser uma revolução", declara Galuppo.

Rodrigo Simonato, Gerente Executivo de Relações Institucionais da Tereos Açúcar & Energia Brasil, destacou que o Brasil tem "um bom problema, que é o excesso de energia".

"Nos falta talvez um pouco mais de orientação para demandar o tipo de energia para cada setor. No norte do Brasil, há maior necessidade de rede de infraestrutura e transmissão. Um olhar mais estratégico sobre o setor pensando no futuro é o que a gente precisa", ressalta.

MP 1304, citada pelas autoridades prevê, entre outras regras, a abertura do mercado livre de energia para consumidores residenciais e comerciais. Isso significa que os consumidores poderão escolher os seus fornecedores de energia elétrica.

Já a MP 1300 concentra-se principalmente em aspectos sociais e de subsídios no setor elétrico. Seus pontos principais incluem Tarifa Social de Energia Elétrica (TSEE), que zera a conta de luz para famílias de baixa renda inscritas no CadÚnico, com consumo de até 120 kWh/mês e a Reforma de Subsídios, que altera diversas leis do setor elétrico para modernizar a estrutura de subsídios, buscando maior eficiência.

No Eloos, os participantes debatem como a política pública e o ambiente legal podem estimular aportes maiores no setor elétrico, incluindo geração, transmissão, armazenamento e iniciativas renováveis.

https://www.cnnbrasil.com.br/blogs/pedro-cortes/nacional/brasil/ha-excesso-de-energia-solar-e-eolica-no-brasil/

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