Exportação de madeira para os EUA cai pela metade desde tarifaço

Setor alerta para perda de espaço no mercado norte-americano

João Nakamura, da CNN Brasil, em São Paulo
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As exportações de produtos de madeira do Brasil para os Estados Unidos caíram 55% ao longo dos três meses em que o tarifaço de Donald Trump está em vigor, segundo análise da Abimci (Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente), com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços).

Molduras, compensado, madeira serrada, portas e pisos são alguns dos produtos que têm no mercado norte-americano seus principais compradores.

Desde o começo de julho, quando Trump anunciou que aplicaria uma tarifa de importação de 50% contra produtos brasileiros, o setor vem alertando para a insustentabilidade de seus negócios e necessidade de reduzir custos por meio de demissões.

Um levantamento do final de setembro da Abimci indicava que 10 mil empregos estavam sofrendo por conta do tarifaço.

Se as negociações entre Brasília e Washington não tiverem reflexos concretos, a expectativa da entidade é de que o quadro se agrave.

“A única solução passa pelo avanço efetivo nas negociações entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos para que as tarifas sejam readequadas e o comércio entre os dois países se normalize. No entanto, o que temos assistido é a falta de ações práticas e de agendas eficazes nessas tão necessárias negociações”, observa Paulo Pupo, superintendente da Abimci.

Segundo Pupo, a indefinição aumenta o risco de produtores brasileiros serem substituídos por outros fornecedores no mercado norte-americano.

“Os clientes e importadores começam, naturalmente, a buscar suprimento e fornecedores em países com taxas menores, e o Brasil está muito exposto nesse movimento, pois tem hoje a maior taxa nominal do mundo”, pontua.

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