Falta de participação em Davos diminui peso do Brasil, diz economista
Com apenas uma representante do alto escalão, o Brasil perde oportunidade de fortalecer sua posição internacional após acordo Mercosul-União Europeia, analisa Igor Lucena
O governo brasileiro marca presença tímida no Fórum Econômico Mundial em Davos, enviando apenas um representante do alto escalão.
De acordo com Igor Lucena, economista e ex-presidente do Corecon, a baixa representatividade brasileira no evento demonstra um desalinhamento entre os setores público e privado do país.
"A participação fora do Fórum Econômico Mundial, num momento tão importante, diminui o peso do Brasil quando o Brasil agora se torna mais importante por causa do acordo do Mercosul", diz.
"A presença de muito mais banqueiros, grandes empresários brasileiros, grandes financeiras internacionais do que, de fato, o próprio governo brasileiro demonstra muito qual é a vontade ou a voracidade internacional dos agentes públicos e privados que estão extremamente desalinhados no Brasil".
O especialista destacou que o Fórum Econômico Mundial tem dois pontos importantes: a definição de regras e arcabouços globais, além de sua função geopolítica.
Para Lucena, o evento ganhou ainda mais relevância no cenário atual, onde se discute como os conflitos internacionais impactam a economia e o desenvolvimento de novos projetos empresariais em escala global.
Credibilidade internacional em xeque
Lucena apontou que a comunidade internacional vê com ceticismo as posições do Brasil nos conflitos internacionais, especialmente em relação aos conflitos entre Rússia e Ucrânia, e entre Israel e Hamas.
Segundo ele, isso coloca o Brasil como "um país que fica difícil de confiar em movimentos de risco por uma suposta independência que não existe mais no século XXI pós-Trump".
Outro ponto crítico mencionado pelo economista é a situação das finanças públicas brasileiras.
"A comunidade internacional não acredita nos dados do Brasil. O tanto de coisas fora do orçamento, do arcabouço, o próprio arcabouço não é mais crível", explica.
Ele ressaltou que a razão dívida/PIB é hoje medida muito mais por órgãos internacionais do que pelo próprio Brasil.
Para o economista, a ausência de representantes de maior peso político, como o próprio Lula, representa uma oportunidade perdida, especialmente após o recente acordo entre Mercosul e União Europeia.
"Seria fundamental o presidente Lula estar presente. Esse seria talvez o grande ponto para ser celebrado no Fórum Econômico Mundial, a possibilidade de que o Brasil se torne uma plataforma de exportação para o mundo", destacou.


