Governo e BC japonês têm relação "normal e harmoniosa", segundo ministra

Sobre ​quedas do iene, Satsuki Katayama disse que uma moeda fraca tem tanto méritos quanto deméritos para a economia

Takaya Yamaguchi, Makiko Yamazaki e Leika Kihara, da Reuters
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A ministra das Finanças do Japão, Satsuki Katayama, caracterizou a ​relação do governo com o banco central como “normal e harmoniosa”, ​descartando a interpretação de que o governo estivesse tentando sinalizar sua reserva em relação ao aumento da taxa de juros.

“A condução cotidiana da política monetária é de competência do Banco do Japão”, afirmou Katayama em entrevista à Reuters NEXT Newsmaker realizada durante um evento organizado pela LSEG em Tóquio nesta terça-feira.

Além disso, ela enfatizou a necessidade de intensificar a comunicação com o mercado de títulos sobre a política fiscal para garantir a confiança do mercado, já ⁠que o governo iniciará em breve o ​processo de elaboração do orçamento do próximo ano.

Embora o governo não tenha planos de estabelecer ​um teto para a emissão anual de dívida, ele “avançará com a elaboração do orçamento de forma a manter ⁠o montante da emissão dentro de uma faixa que ⁠os investidores em títulos considerem razoável”, disse ela.

“Em vez de esperar até que a ​versão ‌final do projeto de orçamento seja elaborada em dezembro para apresentar essas conclusões, acho que, desta vez, será necessário ⁠dialogar com o mercado de forma contínua ao longo de todo o processo.”

Uma versão preliminar do plano econômico inaugural da primeira-ministra Sanae Takaichi, que serve de base para a elaboração do orçamento, abalou os mercados neste mês ao instar o ‌Banco ⁠do Japão a alinhar-se ‌mais estreitamente com os esforços do governo para reavivar o crescimento.

Reconhecendo os temores dos investidores quanto à interferência política na política monetária, a versão final acrescentou uma nota de rodapé citando uma disposição legal que protege a independência ⁠do Banco do Japão na definição da política monetária.

Katayama, que ⁠era funcionária do Ministério das Finanças quando os parlamentares debateram a lei de independência do banco central no final da década de 1990, ‌disse que a legislação foi concebida para encontrar um equilíbrio entre a proteção da autonomia do banco central e o fortalecimento da prestação de contas por meio de maior transparência.

Katayama disse que a redação do projeto inicial não tinha a intenção de pressionar o Banco do Japão, mas provavelmente causou confusão porque foi redigida ‌por funcionários sem experiência direta e sem conhecimento das deliberações que moldaram a lei.

A lei e sua implementação envolveram diversas visões sobre as lições aprendidas com a formação e o estouro da bolha dos preços dos ⁠ativos no Japão nas décadas de 1980 e 1990, disse ela.

“A versão inicial do projeto provavelmente não levou em consideração tais pontos de vista”, disse ela. “Nossa relação com o Banco do Japão é normal e harmoniosa.”

Sobre as recentes ​quedas do iene, Katayama disse que uma moeda fraca tem tanto méritos quanto deméritos para a economia. Ela se recusou ​a comentar quando questionada sobre a possibilidade de uma intervenção conjunta entre o Japão e os Estados Unidos para comprar ienes.

“Não há mudança em nossa postura de que estamos prontos para responder a movimentos cambiais a qualquer momento, conforme necessário”, disse ela, acrescentando acreditar que essa é ‌uma posição compartilhada por Washington.

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