IGP-DI sobe 1,14% em março com efeitos da guerra no Oriente Médio

Resultado ficou praticamente em linha com a expectativa em pesquisa de avanço de 1,12% e levou o índice a ⁠acumular em 12 meses queda ​de 1,30%

Camila Moreira, da Reuters, em São Paulo
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O IGP-DI (Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna) registrou alta de 1,14% em março, ​deixando para trás a queda de 0,84% ​no mês anterior, uma vez que tanto os preços ao produtor quanto ao consumidor voltaram a subir em meio aos efeitos do conflito no Oriente Médio, informou a FGV (Fundação Getulio Vargas) nesta quarta-feira (8).

O resultado ficou praticamente em linha com a expectativa em pesquisa da Reuters de avanço de 1,12% e levou o índice a ⁠acumular em 12 meses queda ​de 1,30%.

“O IGP-DI de março marca o primeiro mês em que ​os índices passam a incorporar, de forma mais clara, os efeitos diretos ⁠e indiretos do conflito no Oriente Médio", ⁠destacou Matheus Dias, economista do FGV IBRE.

Os Estados Unidos e ​o ‌Irã concordaram com um cessar-fogo de duas semanas, suspendendo uma guerra de seis ⁠semanas que matou milhares de pessoas, se espalhou pelo Oriente Médio e causou uma interrupção sem precedentes no fornecimento global de energia.

Em março, o IPA-DI (Índice de Preços ao Produtor ‌Amplo), ⁠que responde por ‌60% do indicador geral, subiu 1,38%, de queda de 1,21% no mês anterior.

"No IPA, embora as maiores pressões ainda venham de produtos agropecuários — em geral não ⁠ligados diretamente aos choques da guerra —, itens ⁠sensíveis ao cenário geopolítico, como combustíveis e fertilizantes, já figuram entre as dez principais influências do índice, ‌indicando a relevância crescente do conflito para os preços ao produtor", disse Dias.

Já o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) -- que responde por 30% do IGP-DI -- mostrou que a pressão aos consumidores aumentou ao subir 0,67% em março, de ‌queda de 0,14% em fevereiro.

Segundo Dias, o principal impacto no IPC veio da gasolina, que registrou alta média de 3,85%, mas com comportamento heterogêneo entre ⁠as capitais e variações superiores a 10% em alguns locais.

O INCC (Índice Nacional de Custo de Construção), por sua vez, registrou aceleração da alta a 0,54% em março, ​de 0,28% antes, com itens intensivos em energia, como massa de concreto, blocos e ​cimento, mostrando pressão associada ao encarecimento dos insumos energéticos.

O IGP-DI calcula os preços ao produtor, consumidor e na construção civil entre o 1º e o último dia do mês de referência.

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