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Inflação sinaliza voltar para meta, mas BC aguarda para cortar juros

Analistas enxergam IPCA perdendo fôlego, enquanto BC segura início do ciclo de queda em busca de conquistar confiança

Gisele Farias, colaboração para a CNN Brasil, São Paulo
Analistas enxergam IPCA perdendo fôlego, enquanto BC segura início do ciclo de queda em busca de conquistar confiança  • Imagem gerada por IA
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A inflação brasileira está retornando ao limite da meta oficial e deve fechar 2025 abaixo de 4,5%, segundo análises de casas de investimento. Por outro lado, a expectativa é que o BC (Banco Central) mantenha até março a taxa de juros em 15% — maior patamar em quase 20 anos, segundo analistas ouvidos pelo CNN Money.

Nesta quarta-feira (26), o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou que o IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo - 15), a prévia da inflação brasileira, desacelerou para 4,5% no acumulado dos últimos 12 meses, retornando ao limite da meta oficial.

O BC persegue a meta de inflação de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto para cima ou para baixo.

Segundo o economista-chefe da Suno Research, Gustavo Sung, a expectativa é de o IPCA encerrar o ano em 4,5% — no teto da meta —, mas indicando processo de desinflação da economia brasileira.

O valor é próximo da mediana prevista pelo mercado, de 4,45%, segundo dados do Boletim Focus publicado pleo BC na segunda-feira (24).

“A inflação voltar nos 12 meses para o limite superior da meta é muito positivo, o que reflete esse processo de desinflação que estamos observando nos últimos meses”, explica Sung.

A avaliação de que o IPCA terminará 2025 dentro da meta também está presente na visão de outros economistas.

Para o diretor de pesquisa econômica do Banco Pine, Cristiano Oliveira, a projeção para o IPCA de 2025 se mantém em 4,4%, pouco abaixo do teto do intervalo da meta para a inflação.

Segundo ele, o leve desvio na prévia da inflação brasileira em relação ao esperado pelo mercado se deve à alta de alguns itens voláteis, como a passagem aérea, e “não altera a expectativa para a evolução dos preços livre.”

Para 2026, a expectativa do banco é que o IPCA mantenha a tendência de desaceleração e fique em torno de 3,8%.

“De modo geral, a leitura do IPCA-15 de novembro foi benigna com o núcleo e a inflação de serviços reforçando o cenário de desaceleração dos preços mais sensíveis ao ciclo da política monetária”, explica.

Na análise da Warren Investimentos, o IPCA-15 de novembro mostrou leitura pior, qualitativamente, do que o antecipado pelo mercado. Ainda assim, as projeções para o IPCA foram mantidas em 4,2% para 2025, também abaixo da meta.

Para o próximo ano, a expectativa dos economistas segue em 4,5% para a inflação.

Em outubro, a inflação desacelerou 0,09% ao menor patamar em 27 anos para o mês. No acumulado de 12 meses, o IPCA teve alta de 4,68%, se aproximando, ainda acima do intervalo da meta oficial.

Taxa de juros deve seguir elevada em 2025

A expectativa é que o Banco Central inicie o ciclo de corte de juros a partir de março do próximo ano, segundo a Suno Research. A taxa está atualmente em 15% ao ano, patamar mais elevado desde maio de 2006.

Em novembro, o Copom do Banco Central disse ter “maior convicção” de que a taxa básica de juros de 15% ao ano é suficiente para manter a inflação em torno da meta.

Segundo o economista-chefe da Suno, a autoridade monetária está monitorando a desaceleração da economia e as expectativas de inflação, em busca de ajustar a política monetária no futuro.

Para ele, a expectativa é que o Banco Central realize o primeiro corte em março, de 0,5 ponto, para 14,5%. Em seguida, a autarquia deve seguir sequência de reduções até a taxa de juros alcançar 12,50% no final de 2026.

“O Banco Central segue nesse piloto automático de 15% até que esse período de transição da economia brasileira se consolide. O país vive um hiato do produto negativo, com desaceleração da atividade econômica e expectativas de inflação melhor ancoradas. Esse é o ponto de principal preocupação hoje da autoridade monetária”, explica.

Com visão semelhante, Petrônio Cançado, sócio da gestora de fundos Occam, destaca que apesar de ver a queda marginal da inflação, a espera do BC em cortar juros somente em março dará credibilidade.

"Galípolo está sendo conservador e ganhando confiança do mercado. A postura dele aumenta chance de juros caírem mais rapidamente", diz, estimando o juro básico em 13% no final de 2026.

Em entrevista ao Capital Insights, programa feito em parceria entre o CNN Money e a Broadcast, o economista pontuou que a manuteçã dos juros em 15% contrata uma queda da atividade doméstica.

"A Selic é o fator que mais impacta mercado de crédito e a sensação de que os juros estão muito altos é uma unanimidade", disse.

Declarações recentes do presidente do BC, Gabriel Galípolo, reforçam que o corte de juros deverá ficar para o fim do primeiro trimestre de 2026.

Em evento nesta quinta-feira (29), Galípolo disse que política monetária deve seguir restritiva pelo "tempo que for necessário" para controlar a inflação, e classificou taxa de juros do país mais alta do que as de seus pares como uma "questão estrutural".

Sobre a comunicação após a última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), o presidente do BC disse que os dados até então indicam que a política monetária tem sido efetiva, mas que tem produzido efeitos lentos, sem uma grande alteração nas perspectivas e na postura da autarquia.

"Não vejo nenhum dado que surgiu neste ciclo que promova qualquer mudança de direção. É um processo que vamos seguir dependentes de dados", relatou, destacando que uma das virtudes do BC este ano foi "ser humilde".

Conforme o último Boletim Focus, as projeções para a Selic foram reduzidas de 12,25% para 12% no final de 2026. Para este ano, a expectativa do mercado financeiro permaneceu em 15% ao ano.

Segundo ainda o economista, houve uma melhora nas projeções do Focus, porém a tendência precisa continuar mais próxima do centro da meta de 3%.

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