Macron diz que acordo com Mercosul é "mau negócio"
Presidente da França voltou a criticar o texto do acordo entre União Europeia e Mercosul, chamando-o de "desatualizado", enquanto parlamentares europeus buscam adiar sua implementação
O presidente da França, Emmanuel Macron, voltou a manifestar sua oposição ao acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, classificando-o como "um mau negócio" e "desatualizado". A declaração foi feita durante entrevista concedida a seis publicações da mídia europeia, onde Macron abordou os grandes desafios enfrentados pelo bloco europeu.
Durante a entrevista, Macron foi questionado sobre uma aparente contradição em sua postura, já que defendia a ampliação de parceiros comerciais da União Europeia ao redor do mundo, mas se opunha ao acordo com o Mercosul. Em resposta, o presidente francês afirmou: "A estratégia é boa, o sinal geopolítico está correto, mas o problema com o acordo com o Mercosul é que o seu mandato está desatualizado".
Macron continua defendendo as chamadas "cláusulas de espelhamento", que exigiriam que produtores do Mercosul, especialmente do agronegócio, seguissem exatamente as mesmas normas ambientais e de produção impostas aos produtores europeus. Essa posição reflete preocupações de setores agrícolas franceses, que temem concorrência desigual com produtos sul-americanos.
Resistência europeia ao acordo
A oposição de Macron não é uma voz isolada na Europa. Um grupo de deputados do Parlamento Europeu conseguiu que o acordo fosse submetido à análise do Tribunal de Justiça da União Europeia antes de sua implementação, o que pode atrasar o processo em aproximadamente dois anos. Embora a Comissão Europeia argumente que poderia implementar provisoriamente o acordo enquanto o tribunal realiza seu trabalho, isso tem gerado intenso debate político dentro do bloco.
Parlamentares da Irlanda também se manifestaram contrários à implementação provisória do acordo, enviando cartas à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, pedindo que aguarde a conclusão da análise judicial. O cenário contrasta fortemente com os esforços do Brasil e outros países do Mercosul para acelerar a aprovação do acordo.
Enquanto o Brasil demonstra pressa para aprovar o acordo, enviando um sinal político aos europeus sobre seu compromisso com a parceria comercial, o lado europeu apresenta crescente resistência e tentativas de atrasar sua implementação. A falta de consenso no bloco europeu deixa incerto se a Comissão Europeia decidirá enfrentar figuras políticas influentes como Macron para avançar com o acordo.


