Perdas do comércio com paralisações nas rodovias podem superar 2018, diz CNC
Estoques menores e maior dependência de entregas estão entre razões que, hoje, podem piorar os impactos dos atrasos de mercadorias para o varejo
Os bloqueios promovidos por apoiadores do presidente Jair Bolsonaro em diversos pontos de rodovias do Brasil devem causar prejuízos ao comércio e as perdas podem superar aquelas vistas em 2018, quando caminhoneiros fecharam diversas estradas por dez dias em uma leva de protestos pelo aumento dos combustíveis. A previsão é da Confederação Nacional do Comércio (CNC).
"O movimento pode ocasionar perdas superiores às registradas por ação similar em 2018, que causou retração de 5,8% no volume de vendas, com perda diária de R$ 1,8 bilhão", afirmou a CNC, em nota. "O custo total para o varejo, em valores atuais, foi de R$ 18 bilhões, contabilizados ao longo dos 10 dias de bloqueios em 2018."
Desde a segunda-feira (31), manifestantes causaram diversos pontos de paradas em rodovias, impedindo ou limitando a passagem de veículos, em protesto à vitória de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência nas eleições encerradas no domingo. Na tarde desta terça-feira (1º), foram contados mais de 200 pontos de paradas em diversos estados.
De acordo com a CNC, o atraso no trânsito de mercadorias pode ter impactos piores, agora, por conta das mudanças nos modelos de negócios dos varejistas após a pandemia .
"Agrava o cenário do setor a maior dependência que as empresas passaram a ter de serviços de entregas, uma vez que passaram a operar com estoques reduzidos", diz a entidade.
"A Confederação acrescenta que o registro dessas perdas tende a ser gradual, na medida em que o varejo conta com estoques que, dependendo da duração dos bloqueios, serão consumidos até a normalização do fluxo de mercadorias. Mas observa que as perdas não se restringem à fonte de receitas, impactando também a elevação dos custos, especialmente, daqueles relacionados ao transporte."
A CNC lembra que, nas paralisações de 2018, quando os caminhões de entregas não conseguiram chegar às cidades e houve o desabastecimento de diversos produtos, inclusive de combustíveis, o preço da gasolina subiu 3,34% e, do óleo diesel, 6,16%.


