Quem é Nelson Tanure, alvo da PF em operação sobre Banco Master
Polícia Federal iniciou, nesta quarta-feira (14), buscas em endereços ligados ao empresário, além do dono do Banco Master, seu cunhado, e o empresário João Carlos Mansur

Além do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, a PF (Polícia Federal) realiza nesta quarta-feira (14) buscas em endereços ligados ao empresário Nelson Tanure. A operação Compliance Zero combate a emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras que integram o SFN (Sistema Financeiro Nacional).
Estão sendo investigados os crimes de gestão fraudulenta, organização criminosa, manipulação de mercados e lavagem de capitais.
Tanure, um dos alvos da operação, é conhecido por investir em diversas empresas.
O empresário investe atualmente em pelo menos 11 companhias, segundo informações em suas redes sociais. Entre elas, constam a Light, responsável pela energia elétrica no Rio de Janeiro, a incorporadora e construtora Gafisa, a EMAE (Empresa Metropolitana de Águas e Energia), dentre outras empresas.
Tanure também detém ações do GPA (Grupo Pão de Açúcar).
Ao todo, os agentes da PF cumprem 42 mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. As medidas foram determinadas pelo STF (Supremo Tribunal Federal), que também autorizou o sequestro e bloqueio de bens e valores que superam R$ 5,7 bilhões.
Além de Tanure, um cunhado de Vorcaro também é investigado na operação e foi preso temporariamente. Outro executivo alvo da PF é João Carlos Mansur.
Quem é Nelson Tanure
Tanure investe desde 2023 na Light, que segundo postagem do empresário nas redes sociais, enfrentava "dificuldades financeiras seríssimas".
"Ajudar a estruturar essa recuperação, conversando com credores e stakeholders tem sido uma prioridade.", publicou na época.
Em agosto, o empresário também estava envolvido nas negociações pela Braskem, segundo informações da Reuters. As conversas eram para que a Novonor vendesse o controle acionário da Braskem para a Petroquímica Verde, fundo de investimento apoiado por Tanure.
O empresário, alvo da operação Compliance Zero, estudou na Harvard Business School em 2015, onde participou do OPM (Owner/President Management Program, na sigla em inglês), programa de educação executiva.
Formado em Administração de Empresas, pela Universidade Federal da Bahia, ele estudou por dois anos no Institut des Hautes Etudes de Développement Economique et Social (Université de Paris I), entre 1975 e 1976.
Tanure começou a trabalhar aos 16 anos, porém nunca teve emprego público ou privado. Em suas redes sociais, o empresário diz que não tirou a Carteira de Trabalho e Previdência Social.
Os investimentos de Tanure abrangem os setores de saúde, geração de energia, bens de capital, serviços industriais, petróleo e gás, setor financeiro, imprensa, telecomunicações e setor imobiliário.
Além disso, o empresário também já atuou na compra e venda de ativos estressados e de participações minoritárias em várias áreas.
Veja abaixo as empresas que Tanure é investidor, atualmente:
- EMAE (Empresa Metropolitana de Águas e Energia): Investidor desde 2024
- Light: Investidor desde abril de 2023
- Alliança: Investidor desde agosto de 2021
- Ligga Telecom: Investidor desde novembro de 2020
- Horizons Telecom: Investidor desde dezembro de 2020
- Sercomtel: Investidor desde setembro de 2020
- Gafisa: Investidor desde 2019
- Prio (Antiga PetroRio): Investidor desde 2012
- TIM Brasil: Investidor desde 2010
- Docas Investimentos S.A: Investidor desde 2000
- Sequip (Serviços de Engenharia e Equipamentos): Investidor desde 1990
Além dessas empresas, Tanure é ex-investidor das companhas de telecomunicações Intelig Telecom, de 2008 a 2010, e da Oi, entre 2005 e 2008.
Em nota, a defesa de Tanure afirma “tem décadas de experiência no mercado de valores mobiliários” e “jamais enfrentou qualquer processo criminal” relacionado às empresas das quais é ou foi acionista.
A defesa reforça que o empresário não possui vínculo societário com o Banco Master e que sua relação com a instituição se limitou à de cliente, “nas mesmas condições em que é atendido por outras instituições financeiras do mercado”.
Entenda a operação
A PF (Polícia Federal) deflagrou na manhã desta quarta-feira (14) a segunda fase da Operação Compliance Zero, que investiga supostas fraudes financeiras no Banco Master.
Ao todo, foram cumpridos 42 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. Eles foram autorizados pelo ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal).
Além de Daniel Vorcaro, dono do Banco, parentes do banqueiro e empresários ligados a fundos de investimento também foram alvos da operação e serão investigados pelos crimes de gestão fraudulenta, organização criminosa, manipulação de mercados e lavagem de capitais.
A operação resultou no sequestro e bloqueio de bens que superam R$ 5,7 bilhões, incluindo relógios, carros de luxo, um revólver e dinheiro vivo.
De acordo com a PF, as medidas foram necessárias para interromper a atuação da organização criminosa, assegurar a recuperação de ativos e dar continuidade às investigações da primeira fase da Operação, deflagrada em novembro de 2025.
A polícia investiga, entre outros pontos, possíveis operações financeiras fraudulentas entre o Banco Master e fundos administrados pela Reag Trust, uma empresa suspeita de ter ligação com esquemas de lavagem de dinheiro apurados na operação Carbono Oculto, que investiga a relação entre o setor de combustíveis, o PCC e empresas financeiras.


