Reserva de petróleo dos EUA cai para menor nível desde abril de 2024

Desde o início da guerra com o Irã, a quantidade de petróleo na Reserva Estratégica de Petróleo caiu cerca de 50 milhões de barris

Matt Egan, da CNN
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Quando lançou a campanha presidencial no final de 2022, Donald Trump criticou duramente Joe Biden por liberar quantidades significativas de petróleo da reserva de emergência dos Estados Unidos antes das eleições de meio de mandato.

"As reservas nacionais estratégicas, que eu abasteci, foram praticamente esgotadas para manter os preços da gasolina mais baixos, pouco antes da eleição", declarou Trump durante o lançamento de sua campanha de 2024 em Mar-a-Lago, referindo-se às liberações recordes de petróleo da Reserva Estratégica de Petróleo (SPR) feitas pelo presidente Joe Biden.

Mas agora, à medida que a frustração dos eleitores com os altos preços da gasolina aumenta, o presidente Trump também está liberando a reserva nacional de petróleo de emergência dos EUA em um ritmo ainda mais acelerado do que Joe Biden - e antes das eleições de meio de mandato deste ano.

Não só a magnitude das liberações da Reserva Estratégica de Petróleo (SPR) sob o governo Trump ultrapassou recordes, como a quantidade de petróleo bruto restante na reserva está se aproximando dos níveis mais baixos desde o início da década de 1980. Naquela época, os Estados Unidos tinham uma economia muito menor, que consumia menos energia.

As medidas emergenciais tomadas neste momento ressaltam a escala da crise do petróleo desencadeada pela guerra no Oriente Médio e a corrida mundial para substituir o petróleo bruto retido no Golfo Pérsico.

A quantidade cada vez menor de petróleo de emergência também serve como um lembrete de como as autoridades americanas precisarão reabastecer a SPR posteriormente, um esforço que manterá tanto a demanda quanto os preços elevados.

“Isso não é como um pote de biscoitos. Esses barris precisam ser devolvidos em algum momento, e isso levará a preços mais altos”, apontou Matt Smith, analista-chefe de petróleo da empresa de inteligência energética Kpler.

Localizada em uma série de cavernas de sal subterrâneas no Texas e na Louisiana, a Reserva Estratégica de Petróleo americana é a maior reserva mundial de petróleo bruto para emergências. Ela já foi utilizada por presidentes republicanos e democratas durante guerras, furacões e outras interrupções no fornecimento.

Por exemplo, Biden recorreu à Reserva Estratégica de Petróleo após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, que elevou os preços da gasolina acima de US$ 5 por galão pela primeira vez na história. A quantidade de petróleo na SPR despencou de cerca de 638 milhões de barris em janeiro de 2021 para uma mínima de 40 anos, de 347 milhões de barris em julho de 2023, segundo dados federais.

O fechamento efetivo, no final de fevereiro, do Estreito de Ormuz interrompeu o fluxo de mais de 1,2 bilhão de barris de petróleo bruto, de acordo com a S&P Global Energy.

Para ajudar a suprir a demanda, a Reserva Estratégica de Petróleo liberou 9,1 milhões de barris de petróleo bruto somente na semana passada, conforme dados federais. Esse volume está um pouco abaixo do recorde histórico estabelecido na semana anterior.

Desde o início da guerra com o Irã, a quantidade de petróleo na SPR caiu cerca de 50 milhões de barris, ou 12%, para 365 milhões de barris – o menor nível desde abril de 2024, de acordo com a Administração de Informação Energética dos EUA.

Vale ressaltar que esse petróleo bruto emergencial não se destina apenas ao abastecimento das refinarias americanas. Cerca de metade do petróleo bruto liberado em abril e maio foi exportado, segundo estimativas da Kpler.

“Os EUA são basicamente o fornecedor de último recurso. O resto do mundo precisa desse petróleo bruto”, apontou Smith.

Países da Ásia e da Europa foram particularmente afetados pelo fechamento do Estreito de Ormuz, o que os levou a recorrer ao petróleo bruto americano como "substituto".

“Mesmo que um acordo seja fechado amanhã, provavelmente levará seis semanas para destravar o Estreito”, destacou Helima Croft, chefe global de estratégia de commodities da RBC Capital Markets, à CNN por e-mail.

"Níveis operacionalmente baixos"

Os estoques comerciais de petróleo dos EUA também estão se esgotando rapidamente.

O mercado presta atenção especial à quantidade de petróleo bruto em Cushing, Oklahoma, porque é lá que os contratos futuros de petróleo bruto West Texas Intermediate (WTI) são cotados.

Dados da Kpler indicam que os estoques em Cushing caíram de cerca de 33 milhões de barris há sete semanas para aproximadamente 24,5 milhões agora. Isso se aproxima dos "níveis operacionais mínimos" de cerca de 20 milhões de barris, sinalizou Smith, da Kpler.

"Não dá para zerar os estoques, porque há resíduos no fundo dos tanques. É preciso um certo volume para mantê-los operacionais", explicou.

Croft concordou que o mundo está "se aproximando rapidamente do limite mínimo dos estoques", mas observou que a reação do mercado é moderada, atenuada pelas promessas de um acordo entre EUA e Irã.

Limitações às exportações?

O aumento das exportações americanas, aliado à redução dos estoques de emergência e comerciais, pode levar as autoridades americanas a considerar a opção de restringir ou mesmo proibir as exportações.

Limitar ou proibir as exportações poderia reduzir temporariamente os preços da gasolina nos Estados Unidos, mas analistas alertam que tal medida corre o risco de desestabilizar ainda mais o sistema energético global e causar sérios danos às refinarias e produtoras americanas.

A Casa Branca enfatizou que essa medida não está sendo considerada no momento.

Smith, analista da Kpler, argumentou que, em vez de restrições às exportações, as forças de mercado acabarão por interromper as exportações americanas.

Ele afirmou que a redução dos estoques de petróleo, especialmente em Cushing, diminuirá a diferença entre o WTI e o Brent (a referência global) a ponto de tornar o petróleo americano menos atraente para compradores estrangeiros.

"Mas quando a produção parar e os EUA deixarem de fornecer petróleo ao mercado", continuou Smith, "os outros países irão comprar petróleo de quem?".

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