Rússia pode virar alternativa de petróleo para a China, diz especialista
Diante da escassez provocada pelo conflito no Oriente Médio, professor Alexandre Coelho afirma que Rússia, ainda grande produtora de petróleo, pode ser opção para abastecer o mercado chinês
A guerra no Oriente Médio tem impactado diretamente o mercado global de petróleo, elevando os preços e gerando escassez do produto. Nesse cenário, a Rússia pode emergir como uma alternativa para a China na compra de petróleo, conforme apontou o professor de Relações Internacionais Alexandre Coelho em entrevista à CNN Brasil.
"Em princípio, talvez a Rússia saia ganhando, porque o petróleo está ficando cada vez mais escasso e o país hoje é um grande ainda produtor de petróleo. Ou seja, a Rússia pode ser uma boa alternativa para compras de petróleo por parte da China", explicou Coelho.
O especialista destacou que o preço do barril de petróleo tem apresentado alta constante nos últimos dias, chegando a 90 dólares. "A gente tem que lembrar que ontem ainda estava em 85, antes de ontem 80 dólares quando começou a disparar, ou seja, está a US$ 90 e, inclusive, está coincidindo com o mercado futuro do petróleo Brent. O mercado futuro já está precificando o preço do petróleo acima de US$ 90", observou.
Impactos para as potências globais
Alexandre Coelho analisou também como outras potências estão sendo afetadas pelo conflito. Segundo ele, a China, que depende fortemente do petróleo proveniente dos países do Golfo, enfrenta um problema significativo de fornecimento de energia. "É claro que a China pode buscar alternativas junto à Rússia e, inclusive, junto ao Brasil, um grande exportador de petróleo também. No entanto, é difícil substituir uma fonte de petróleo como a dos países do Golfo", afirmou.
Para os Estados Unidos, o especialista vê mais pontos negativos do que positivos no atual cenário. "A população norte-americana já está insatisfeita com essa guerra. A piora no apoio a Donald Trump, do ponto de vista político, já começa a aparecer. O que já não estava bom está piorando, porque a população americana, de fato, é contra essa guerra", analisou Coelho, acrescentando que o aumento no preço do petróleo tende a elevar o custo de vida dos americanos.
Em relação à Rússia, ele observou que o país está com seu foco principalmente no conflito com a Ucrânia, o que limita sua capacidade de apoiar aliados no Oriente Médio. "A Rússia criou ali, de certa forma, uma armadilha para ela mesma, que é a questão ucraniana", comentou, ressaltando que não se deve esperar qualquer ajuda significativa por parte da Rússia em relação ao Irã.
O papel da Europa no conflito
Quanto aos países europeus, Alexandre Coelho destacou que estes têm demonstrado um apoio inicialmente tímido aos Estados Unidos no conflito. França, Alemanha e Reino Unido já começaram a enviar recursos para fortalecer bases militares na região, especialmente no Chipre. "Os europeus estão tentando mostrar o preço disso e a importância da Europa nesse conflito no Oriente Médio", explicou.
O professor alertou ainda para a possibilidade de generalização do conflito, que inicialmente estava restrito ao Irã, depois se regionalizou para os países do Golfo e agora começa a afetar outros países. "Durante a semana, começa a espalhar para alguns países, inclusive, com relação à Turquia, que é membro da OTAN, e também com relação ao Chipre", observou, ressaltando a complexidade da situação geopolítica atual.


