“Só faz sentido meta de desmatamento se der para prever o resultado”, diz ex-BC

Mourão recebeu sugestão de criação de sistema parecido com meta de inflação na área ambiental

Thais Herédia, da CNN
Compartilhar matéria

Na reunião dos CEOs com Hamilton Mourão para tratar da política ambiental do governo, o vice-presidente ouviu uma sugestão inusitada, segundo relatou a analista da CNN, Raquel Landim. O governo poderia adotar metas de redução do desmatamento com um modelo parecido com o sistema de metas para inflação gerido pelo Banco Central.

“Eu nunca tinha pensado nisso, mas acho que faz sentido”, disse à coluna Sérgio Werlang, ex-diretor do BC, conhecido como “pai” do Sistema de Metas para Inflação adotado em 1999. O modelo determina que o governo defina o objetivo para o resultado do IPCA anual com dois anos de antecedência. A partir dessa decisão, o Comitê de Política Monetária (Copom) calibra a taxa de juros básica da economia.

Para controlar o desmatamento nas florestas brasileiras seria preciso algo diferente, mas sob o mesmo princípio, ou seja, que haja causa e efeito e que seja possível prever resultados.

Leia mais:

CEOs pedem a Mourão meta de desmatamento similar à de inflação
Mourão diz a empresários estar “100% alinhado” com carta de CEOs
Investidores estrangeiros elogiam reunião com Mourão, mas cobram resultados

“Você só pode colocar metas se tiver como prever o resultado das ações. Pelo que eu entendo é possível de fato colocar uma meta para o desmatamento. Existe uma forma de fazer causa e efeito na questão ambiental, por exemplo, entre a fiscalização e a redução do desmatamento. Se aumentar fiscalização ‘x%’, diminui ‘x%’o desmatamento. Mas certamente há outras”, explica o ex-BC.

Sérgio Werlang avalia que a imagem do Brasil está sim arranhada com a piora do controle das queimadas e das ações ilegais nos biomas. Ele lembra que o país havia conquistado um lugar de destaque e respeito no mundo pelos resultados da política ambiental dos anos recentes.

“O país era o exemplo na administração ambiental e agora, por conta própria, deu um tiro no pé. Jogamos fora anos de investimento na imagem fazendo coisas concretas, não foi só marketing. Perder a imagem é rápido, reverter é mais caro, leva mais tempo. Essa ideia recente de que tem que desmatar para fazer negócio tem que ser combatida dando dinheiro para não fazer o negócio que destrói a floresta. Isso conta a favor do governo, se ele entender isso”, analisa Sérgio Werlang.

Clique aqui para acessar a página do CNN Business no Facebook

Acompanhe Economia nas Redes Sociais