Srour: Câmbio pode definir momento de queda da Selic
Colunista do CNN Money destaca que cenário internacional predomina nas decisões sobre juros, mas panorama deve mudar em 2024 com foco em questões domésticas
A definição do momento para o início do ciclo de queda da taxa Selic pode depender mais da evolução do câmbio do que de outros fatores econômicos, segundo análise da colunista do CNN Money e diretora de macroeconomia para o Brasil no UBS Global Wealth Management Solange Srour.
A especialista destaca que, enquanto persistir a indefinição sobre o cenário eleitoral, o panorama internacional terá maior influência sobre as decisões de política monetária.
O atual cenário mostra uma economia resiliente, com dados ambíguos que não indicam uma desaceleração consistente.
Apesar de sinais mais fracos no crédito e consumo, há indicadores positivos no emprego e renda, além de uma melhora na confiança dos agentes econômicos e queda na inflação de alimentos.
Política fiscal e seus impactos
A política fiscal expansionista dos últimos três anos tem sido um fator relevante para manter a economia aquecida, mesmo com juros reais elevados.
A inflação, quando desacelerou, foi influenciada principalmente por fatores externos, como o dólar mais fraco e a normalização das cadeias produtivas pós-pandemia, e não pela demanda doméstica.
O mercado de trabalho apresenta salários reais em ascensão, um movimento considerado incompatível com a queda na inflação.
Com a capacidade produtiva sendo amplamente utilizada, a economia continua crescendo em torno de 2% ao ano, mesmo com a taxa básica de juros em patamares elevados.
Perspectivas para 2026
Para o próximo ano, a análise indica que o cenário doméstico deve ganhar maior relevância.
As decisões do Banco Central estarão mais sensíveis ao comportamento dos agentes econômicos, refletido no câmbio e nas expectativas de inflação, que tendem a apresentar maior volatilidade conforme avançam as pesquisas eleitorais.


