Transformação ecológica pode impulsionar PIB e gerar 2 milhões de empregos
Estudo do Ministério da Fazenda mostrou que Brasil é capaz de reduzir emissões de gases de efeito estufa sem prejudicar economia

O PTE (Plano de Transformação Ecológica) do Ministério da Fazenda tem potencial de aumentar o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) em 0,8 ponto percentual ao ano até 2035.
O dado consta no estudo "Impacto do Plano de Transformação Ecológica", divulgado pela Secretaria de Política Econômica nesta terça-feira (12).
Quando se analisa o cenário de longo prazo, o estudo mostrou que o PTE pode impulsionar o crescimento da economia brasileira em 0,15 p.p até 2050.
De acordo com o documento, os resultados indicam que os efeitos positivos do PTE sobre a economia são maiores nos 10 a 15 anos iniciais de implementação, quando se observa um pico nos ganhos de produtividade, investimento e redução de emissões.
Depois desse período, o estudo observou que os impactos reduzem de intensidade, mas permanecem positivos.
"Ao aproveitar as oportunidades da transição ecológica, o Brasil pode conciliar crescimento econômico, geração de empregos em diversos setores e redução de emissões de gases de efeito estufa sem prejudicar a distribuição de renda", diz o estudo.
"Dessa forma, o PTE oferece uma oportunidade única para o Brasil alinhar o seu desenvolvimento com os princípios climáticos e da natureza."
Impacto no mercado de trabalho
Além do impacto positivo no PIB, a análise evidenciou um aumento nos níveis de emprego com a implementação das políticas do PTE em todos os cenários analisados.
Em média, a implementação completa do plano leva a um acréscimo de 2 milhões de postos de trabalho em diversos setores até 2035.
"Dessa forma, o modelo mostra que tornar a economia brasileira mais verde não implica em perda de empregos em setores importantes para a economia", diz.
O estudo também indicou que a transição ecológica se traduz em impactos positivos sobre a renda média da população, tanto no curto quanto no longo prazo.
Desafios e objetivos
No entanto, o documento destaca que o controle do desmatamento e a necessidade de acelerar a descarbonização são desafios que ainda permanecem.
"Sem a transição ecológica, não será possível cumprir as metas climáticas do Brasil, incluindo a NDC [Contribuição Nacionalmente Determinada], o que reforça o PTE como um caminho indispensável para o desenvolvimento econômico e climático do país", diz o documento.
Entre os objetivos do projeto, estão expandir e modernizar a produção nacional em atividades com maior valor agregado, complexidade tecnológica e neoindustrialização, e gerar riqueza para o país ao mesmo tempo em que se reduz o impacto ambiental da atividade econômica.
O PTE busca implementar políticas econômicas voltadas à neutralidade climática até 2050, seguindo o pacto assumido no Acordo de Paris, em 2015, bem como as NDC (Contribuições Nacionalmente Determinadas).
O estudo foi desenvolvido pelo Ministério da Fazenda, PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) e PAGE (Parceria para Ação em Economia Verde), com implementação técnica do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Os seis eixos do PTE
- Finanças sustentáveis: direciona recursos públicos para atividades sustentáveis, assim como atrai investimentos privados, tanto nacionais quanto internacionais, para setores ligados à transformação ecológica;
- Adensamento tecnológico: fomenta o aumento da produtividade econômica por meio de inovações tecnológicas e qualificação profissional. Promove produtos e processos mais complexos, com maior valor agregado, adensamento de cadeias produtivas e geração de empregos qualificados e bem remunerados;
- Bioeconomia e sistemas agroalimentares: produção agropecuária e da bioeconomia em geral com geração de renda e desenvolvimento tecnológico e industrial;
- Transição energética: tecnologias nacionais de ponta em fontes renováveis e adensamento de suas cadeias produtivas, o que induz o uso de fontes energéticas limpas no setor produtivo e estimula a descarbonização nos transportes terrestres, marítimos e aéreos;
- Economia circular: fomenta a transição para o modelo circular e sustentável de produção e consumo, superando o modelo linear de economia, que exige muitos recursos naturais, gera muitos resíduos e degrada o meio ambiente;
- Nova infraestrutura verde e adaptação: viabiliza mecanismos para o financiamento privado e público de novas obras de infraestrutura, adaptando as cidades aos impactos da mudança climática, tais como enchentes, bolhas de calor, secas e deslizamentos.


