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    Waack: A questão está no que Lula não disse

    O esforço do governo para extrair mais do setor privado via impostos parece ter chegado ao limite, mas Lula não disse como pretende prosseguir

    William Waack

    Os ataques que o presidente Lula reiterou hoje ao presidente do Banco Central fazem parte de um script bem conhecido. Roberto Campos Neto é, há mais de um ano, o alvo preferencial de Lula, para quem a definição da taxa básica de juros não passa de um capricho pessoal de um indivíduo a serviço de adversários políticos.

    Um alvo perfeito, diga-se de passagem, pois ninguém considera que juros altos favoreçam a economia.

    Mas, para milhões de agentes econômicos, a questão não está no que Lula disse e repete, mas naquilo que ele não disse. Ao acusar ricos de serem donos do orçamento público, via desonerações e benefícios fiscais, o presidente não disse como quer escapar dessa armadilha — uma distorção de longo prazo que seu governo não alterou.

    Também não disse como quer se libertar da rigidez do orçamento, que medidas de seu governo tornaram ainda mais engessado, e que lhe cortaram capacidade de investimento.

    O presidente repetiu que não vai fazer cortes de gastos em cima de pobres, mas não disse qual a fórmula que eventualmente considera para equilibrar as contas sem ser apenas pelo lado da receita.

    O esforço do governo para extrair mais do setor privado via impostos parece ter chegado ao limite, mas Lula não disse como pretende prosseguir.

    Diante do conhecido script, preços de ativos perderam valor. Aparentemente, milhares de agentes econômicos acham que mais do mesmo não está agradando.