Ações da AstraZeneca caem 7% diante de possível fusão com Bristol Myers

Investidores afirmam que não há necessidade óbvia de uma aquisição transformadora

da Reuters
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As ações da AstraZeneca caíam acentuadamente nesta segunda-feira (3), à medida que analistas ​e investidores questionavam a lógica de ​uma possível fusão com a Bristol Myers Squibb, após reportagens indicando que as empresas haviam mantido conversas preliminares sobre a formação de uma das maiores farmacêuticas do mundo.

As ações da AstraZeneca registravam queda de 6,7%, a maior queda no índice FTSE 100, já que investidores e analistas afirmaram que ⁠a maior farmacêutica do Reino ​Unido não apresentava necessidade óbvia de uma aquisição transformadora, apesar ​dos potenciais benefícios financeiros.

Uma fonte a par do assunto disse à ⁠Reuters que a AstraZeneca e a Bristol ⁠haviam mantido conversas, confirmando uma reportagem anterior do Financial ​Times.

‌Na sexta-feira, as duas empresas somavam uma capitalização de mercado de quase ⁠US$ 400 bilhões, com a AstraZeneca avaliada em US$ 264,11 bilhões e a Bristol Myers em US$ 133,41 bilhões.

“Uma fusão com a Bristol não faz sentido estratégico nem financeiro”, ‌disse ⁠Markus Manns, ‌gestor de portfólio da Union Investment, acionista da AstraZeneca.

“Muitas megafusões anteriores destruíram valor e não há necessidade aparente de a Astra fazer isso”, acrescentou ele.

Embora ⁠a AstraZeneca tenha concluído este ano ⁠uma listagem direta na Bolsa de Valores de Nova York, ressaltando seu foco em seu ‌maior mercado e seu objetivo de se beneficiar das avaliações mais altas nos EUA, um acordo com a Bristol Myers significaria, na prática, uma empresa britânica adquirindo uma das principais gigantes farmacêuticas dos EUA.

Manns disse ‌que o presidente-executivo da AstraZeneca, Pascal Soriot, em seus 14 anos à frente da empresa, sempre priorizou a pesquisa e o desenvolvimento em detrimento ⁠do corte de custos. “Uma fusão perturbaria profundamente uma empresa bem administrada e com um pipeline completo”, alertou.

Analistas da Jefferies afirmaram em uma nota que estavam ​perplexos com as notícias sobre as negociações, considerando que a AstraZeneca possui ​um forte “perfil de crescimento e inovação”. “Se há uma empresa que não precisa de engenharia financeira, essa empresa é a AstraZeneca”, escreveram eles.

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