Bolsas mundiais caem com disparada do petróleo e escalada de conflito
Tensões no Oriente Médio pressionam apetite por risco de investidores à medida que novas apostas de inflação e juros mais altos tomam conta dos mercados mundo afora

As bolsas globais recuaram nesta quinta-feira (12), com a alta do petróleo persistente em meio à escalada das tensões no Oriente Médio, mesmo após os Estados Unidos e aliados anunciarem uma liberação recorde de petróleo de reservas emergenciais, além da liberação também pela AIE (Agência Internacional de Energia).
Já o Brent para maio subiu 9,21% (US$ 8,48), a US$ 100,46 o barril, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE).
Bolsas globais
Com a ascensão da commodity e a intensificação do conflito no Oriente Médio, as bolsas asiáticas fecharam em queda nesta quinta-feira. O índice japonês Nikkei caiu 1,04% em Tóquio, a 54.452,96 pontos, enquanto o sul-coreano Kospi recuou 0,48% em Seul, a 5.583,25 pontos. Já o Hang Seng cedeu 0,70% em Hong Kong, a 25.716,76 pontos, e o Taiex registrou perda de 1,56% em Taiwan, a 33.581,86 pontos.
Na China continental, o Xangai Composto teve ligeira baixa de 0,10%, a 4.129,10 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto recuou 0,68%, a 2.725,35 pontos.
Na Oceania, a bolsa australiana também ficou no vermelho, e o S&P/ASX 200 caiu 1,31% em Sydney, a 8.629,00 pontos.
As bolsas europeias, por sua vez, fecharam em baixa, ampliando perdas do pregão anterior.
O índice de referência pan-europeu STOXX 600 fechou em queda de 0,61%, aos 598 pontos, e encerrou em baixa pela sétima vez em nove sessões neste mês, perdendo cerca de 5,6% desde o início do conflito.
Em Londres, o índice Financial Times recuou 0,47%, a 10.305 pontos. Em Frankfurt, o índice DAX caiu 0,21%, a 23.589 pontos. Em Paris, o índice CAC-40 perdeu 0,71%, a 7.984 pontos. Em Milão, o índice Ftse/Mib teve desvalorização de 0,71%, a 44.456 pontos. Em Madri, o índice Ibex-35 registrou baixa de 1,22%, a 17.139 pontos. Em Lisboa, o índice PSI20 valorizou-se 0,83%, a 9.152 pontos.
Em relatório mensal divulgado hoje, a AIE (Agência Internacional de Energia) alerta que o conflito está provocando "a maior interrupção de oferta na história do mercado global de petróleo". Assim, investidores temem que o salto do petróleo alimente a inflação e comprometa a perspectiva de crescimento global.
De acordo com o mercado, se a situação perdurar no Oriente Médio, a inflação pode aumentar na Europa, já que o continente depende fortemente das importações de petróleo.
"As ações europeias são vistas como tipos de ativos mais vulneráveis, já que a Europa é, obviamente, uma economia que consome muita energia, com muitas empresas de manufatura que dependem dos preços dos combustíveis", disse Marija Veitmane, chefe de pesquisa de ações da State Street.
Assim, pode-se dizer que a alta da taxa de juros pelo Banco Central Europeu em julho já está precificada nos mercados acionários, com 85% de probabilidade de outro aumento em dezembro - uma mudança radical em relação às expectativas de antes do início do conflito, quando se apostava em um corte de juros.
O Dow Jones caiu 1,56%, para 46.677,85 pontos. O S&P 500 perdeu 1,52%, para 6.672,58 pontos. O índice de tecnologia Nasdaq recuou 1,78%, para 22.311,98 pontos.
Os três principais índices acionários dos EUA caíram mais de 1,5% em uma ampla liquidação, com tudo, exceto ações de energia e alguns papéis defensivos, sofrendo perdas percentuais acentuadas. O S&P 500 registrou sua maior queda percentual em três dias em um mês.
Assim como na Europa, os preços elevados do petróleo alimentam preocupações com a inflação e forçam os investidores a reduzir as expectativas de cortes nas taxas de juros dos EUA.
A situação pode se intensificar ainda mais com a onda ampla de ataques a instalações de petróleo e transporte em todo o Oriente Médio. O Irã já alertou que os preços do petróleo podem subir para até US$ 200 por barril.
Dessa forma, o Goldman Sachs adiou sua previsão para o próximo corte nos juros pelo Federal Reserve (banco central americano) para setembro, em comparação com uma expectativa anterior de junho.
"O problema é que os investidores estão cada vez mais precificando um conflito mais prolongado que cause grandes danos econômicos", disse um grupo de estrategistas liderado por Jim Reid do Deutsche Bank.
"Afinal de contas, sem sinais concretos de redução das tensões ainda, isso está mantendo os preços do petróleo elevados e aumentando o risco de um choque estagflacionário mais amplo."
No Brasil, o cenário não foi diferente. O Ibovespa, principal índice da bolsa paulista, fechou em queda superior a 2% acompanhando o pregão negativo do exterior em um dia marcado pela aversão global ao risco.
O Ibovespa fechou em queda de 2,55%, aos 179.284,49 pontos - anulando as altas dos últimos três pregões.
*Com informações da Agência Estado e da Reuters.


