Juros futuros perdem força sob influência do Fed, mas fecham em leve alta

Taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 13,995%, com alta de 2 pontos-base

Por Fabricio de Castro, da Reuters
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Após sustentarem ganhos firmes mais cedo, as taxas dos DIs chegaram a virar para o negativo durante a tarde, em meio a comentários ​do chair do Federal Reserve, Kevin Warsh, mas encerraram a sessão regular com ​altas leves, num dia em que o petróleo no exterior voltou a superar os US$90.

Os dados de empregos formais no Brasil mostraram geração de vagas acima do esperado, mas no pior ritmo para o mês desde 2020, reforçando a leitura de que o mercado de trabalho está desacelerando.

No fim da tarde, a taxa do Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2028 estava em 13,995%, com alta de 2 pontos-base ante o ajuste de 13,976% da sessão anterior. Na ponta longa da curva, o DI para janeiro de 2035 marcava 14,68%, com aumento de 4 pontos-base ante 14,64%.

Até a metade da tarde as taxas sustentaram ⁠ganhos firmes, de mais de 10 pontos-base em alguns vencimentos, acompanhando ​o avanço dos rendimentos dos Treasuries e do petróleo que antecedeu a decisão do Fed sobre juros, às 15h.

Como esperado, o ​Fed manteve sua taxa de juros na faixa de 3,50% a 3,75%, mas a decisão foi dividida: enquanto nove membros do Comitê Federal de Mercado ⁠Aberto (Fomc) votaram pela manutenção, três defenderam um aumento de 25 pontos-base já ⁠nesta reunião.

Logo após o anúncio, os rendimentos dos Treasuries de curto prazo e as taxas dos DIs desaceleraram os ​ganhos, ‌mas durante a entrevista coletiva de Warsh o enfraquecimento se consolidou.

Na entrevista, Warsh ressaltou o compromisso do Fed com a meta de inflação de 2% e ⁠disse que a instituição não hesitará em agir. Ao mesmo tempo, citou dados de inflação “animadores” e disse que os membros do comitê continuarão a acompanhar as informações de mercado.

Durante os comentários de Warsh, os rendimentos dos Treasuries de dois anos se firmaram em queda.

No Brasil, as taxas dos DIs acompanharam o movimento. Após marcar a ‌máxima ⁠de 14,070 (+9 pontos-base) às 9h16, ‌ainda na primeira hora da sessão, a taxa do DI para janeiro de 2028 atingiu a mínima de 13,925% (-5 pontos-base) às 16h02, em meio aos comentários de Warsh. Já o DI para janeiro de 2035 variou entre a máxima de 14,695% (+6 pontos-base) às 9h16 e a mínima de 14,585% (-6 pontos-base) às 15h, no ⁠minuto do anúncio do Fed.

O viés de baixa, no entanto, não se consolidou no Brasil, ⁠com as taxas voltando a exibir altas nos contratos a partir de janeiro de 2028, ainda que distantes das máximas do dia.

“Parte dos dirigentes (do Fed) continua demonstrando preocupação com uma inflação ‌que segue acima da meta e defende uma postura mais restritiva, o que levou os investidores a aumentar a probabilidade de uma nova alta de juros nos próximos meses”, ponderou Gabriel Redivo, sócio e diretor de gestão da Aware Investments.

“Esse cenário pressiona principalmente a curva de juros americana, especialmente nos vencimentos mais curtos, e acaba refletindo também nos mercados emergentes, como o Brasil”, acrescentou.

O avanço firme do petróleo Brent no exterior, para acima dos US$90 ‌o barril, foi outro fator de suporte para a curva brasileira, em meio às preocupações do mercado com o efeito inflacionário da guerra no Oriente Médio.

No Brasil, a perda de força das taxas futuras ocorreu já após os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que mostraram abertura ⁠de 145.161 vagas formais de trabalho em junho, acima dos 115.000 postos projetados por economistas ouvidos pela Reuters.

Apesar do resultado acima do esperado, o saldo de junho foi o menor para o mês desde 2020, quando 53.381 vagas foram fechadas durante a pandemia de Covid-19.

Para o economista Rodolfo Margato, da XP, há sinais ​de desaceleração do mercado de trabalho brasileiro, e não de contração.

“Projetamos que o ritmo médio de criação de empregos formais arrefecerá de aproximadamente 110 mil por mês ​em 2025 para 80 mil por mês em 2026”, afirmou Margato em comentário escrito.

Às 16h47, o rendimento do Treasury de dois anos--que reflete apostas para os rumos das taxas de juros de curto prazo-- tinha queda de 4 pontos-base, a 4,234%, após ter sustentado ganhos firmes antes da decisão do Fed. Já o retorno do rendimento de dez anos --referência global para decisões de investimento-- subia 6 ‌pontos-base, a 4,665%.

 

 

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