Ibovespa cai com temor fiscal e decisão do Congresso; dólar vai a R$ 5,37

Plenário da Câmara dos Deputados retirou de pauta, na véspera, a MP com alternativas ao aumento do IOF

Da CNN Brasil*
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O dólar subiu nesta quinta-feira (9), enquanto o Ibovespa virou para o negativo com o mercado digerindo o arquivamento, pelo Congresso, da MP sobre taxação de aplicações financeiras, em uma derrota para o governo na noite de quarta (8).

Os investidores também avaliaram os impactos da inflação após a divulgação do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que acelerou 0,48% no mês de setembro, mas ficou abaixo das expectativas.

O dólar à vista fechou em alta de 0,61%, aos R$ 5,3754 na venda, impulsionado também pelo cenário externo, com a moeda americana ganhando força ante outras moedas, como o iene e o euro.

Já o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, encerrou sessão em queda de 0,31%, a 141.708,19 pontos, mesmo após retomar o patamar dos 143 mil pontos no início do pregão.

Além da preocupação com o fiscal, o índice acionário foi pressionado ainda pelos papéis da Petrobras, que fecharam em baixas de mais de 1%.

A Câmara dos Deputados aprovou na noite de quarta-feira (8) um requerimento que retirou de pauta a MP 1303, que trata da taxação de aplicações, o que levou à perda de validade da principal proposta de ajuste das contas do Executivo para o próximo ano.

Na prática, o texto foi rejeitado sem sequer ter tido seu mérito analisado. A MP caducaria se não fosse aprovada pelos plenários da Câmara e do Senado até o fim do dia.

Em entrevista à rádio Piatã, da Bahia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta manhã de quinta-feira que discutirá na próxima semana como o sistema financeiro pode pagar o imposto devido, após a queda da MP.

Na chegada ao Ministério da Fazenda nesta manhã de quinta, o ministro Fernando Haddad afirmou que o governo fará valer a orientação de Lula. “Ele não vai abrir mão do fiscal, mas não vai abrir mão do social”. O ministro afirmou que apresentará a Lula várias alternativas à MP.

Ao mesmo tempo, Haddad pontuou que o Supremo Tribunal Federal garantiu “prerrogativas do presidente”. “Isso nos dá conforto para chegar até o final do ano”, afirmou, sem entrar em detalhes.

Em 16 de julho, o ministro do STF Alexandre de Moraes concedeu liminar que retomava a vigência da maior parte de um decreto de Lula que elevava alíquotas do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) sobre uma série de operações.

A validade deste decreto era motivo de disputa entre governo e Congresso no Supremo. Posteriormente, o governo negociou com o Congresso a MP 1303 – agora arquivada – justamente para substituir o aumento do IOF.

Enquanto a disputa política segue em Brasília, com impactos sobre a área fiscal, no exterior o dólar atingiu mais cedo máximas de dois meses em relação ao iene e ao euro -- moedas afetadas pela turbulência política no Japão e na França.

Na abertura da sessão, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) informou que o IPCA, o índice oficial de inflação, subiu 0,48% em setembro, abaixo dos 0,52% projeto por economistas consultados pela Reuters.  Em 12 meses até setembro a inflação atingiu 5,17%, ante projeção de 5,22%.

Às 11h30 desta quarta-feira, o Banco Central realizou leilão de 40.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 3 de novembro.

Na quarta-feira, o dólar à vista fechou em queda de 0,13%, aos R$ 5,3430.

*Com informações da Reuters

 

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