Ibovespa valoriza 1% puxado por Petrobras e bancos; dólar fecha estável

Principais instituições financeiras avançam nesta sexta-feira após os EUA retirar Moraes da lista de sanções da Lei Magnitsky

Diana Ribeiro, da CNN Brasil*
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O Ibovespa recuperou os 160 mil pontos e fechou em alta nesta sexta-feira (12) impulsionado por Petrobras e bancos. Cinco das principais instituições financeiras avançaram após os EUA retirar Moraes da lista de sanções da Lei Magnitsky.

O principal índice da bolsa chegou a recuperar o patamar dos 161 mil pontos durante a manhã, ampliando a recuperação na semana, após o tombo de mais de 4% na sexta-feira passada com a candidatura à Presidência de Flávio Bolsonaro. Nesta semana, sem maiores desdobramentos envolvendo o episódio, o clima na bolsa paulista acalmou.

O Ibovespa encerrou o dia em alta de 0,99%, aos 160.766 pontos. Na semana, avançou 1,91%.

Já o dólar encerrou a sexta-feira praticamente estável ante o real, em um ambiente de maior calmaria política no Brasil e sem gatilhos firmes para as cotações, enquanto no exterior a moeda norte-americana exibia ganhos ante uma cesta de moedas fortes.

O dólar à vista fechou o dia em leve alta de 0,08%, aos R$ 5,4129. Na semana, a moeda acumulou baixa de 0,40% e, no ano, recuo de 12,40%.

 

De acordo com analistas ouvidos pela CNN, a alta generalizada no pregão desta sexta é explicada, principalmente, por um movimento de saída de recursos dos Estados Unidos pelo aumento das preocupações sobre uma bolha da Inteligência Artificial (IA) depois de empresas do setor, como Oracle e Broadcom, reportarem previsões fracas.

O mercado também monitorou as falas de membros do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) em busca de sinais sobre o futuro do juros nos Estados Unidos.

Além disso, os investidores analisaram os dados do setor de serviços do Brasil, que avançaram 0,3% em outubro, divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Apesar da desaceleração, o resultado ficou ligeiramente acima da expectativa em pesquisa da Reuters.

Falas de membros do Fed

Nos Estados Unidos, os discursos dos dirigentes do Fed dão pistas do que vem pela frente.

O presidente do Federal Reserve de Kansas City, Jeffrey Schmid, disse que discordou do corte de 0,25 ponto na taxa de juros dos EUA porque a inflação está "muito alta" e a política monetária deveria permanecer modestamente restritiva para mantê-la sob controle.

"Neste momento, vejo uma economia que está mostrando impulso e uma inflação que está muito aquecida, o que sugere que a política monetária não é excessivamente restritiva", apontou Schmid em uma declaração divulgada ao fim do período de silêncio.

O presidente do Federal Reserve de Chicago, Austan Goolsbee, também disse que não concordou com o recente corte de 0,25 ponto na taxa de juros dos Estados Unidos.

Segundo o dirigente, ele considerava melhor esperar por dados adicionais sobre a inflação e a situação do mercado de trabalho antes de reduzir os custos dos empréstimos, principalmente devido à grande preocupação que as empresas e os consumidores ainda expressam sobre o aumento dos preços.

Para a presidente do Federal Reserve da Filadélfia, Anna Paulson, a principal preocupação que tem no momento é a situação do mercado de trabalho, acrescentando que a atual política monetária deve ajudar a reduzir a inflação para a meta de 2% do Fed.

“No geral, ainda estou um pouco mais preocupada com a fragilidade do mercado de trabalho do que com os riscos de alta da inflação”, declarou Paulson.

Já a presidente do Federal Reserve de Cleveland, Beth Hammack, afirmou que preferiria que a política monetária fosse mais restritiva do que é atualmente. O último anúncio do corte da taxa de juros pelo juntamente com afrouxamentos anteriores ao longo deste ano, fez com que os juros ficassem "em torno de um nível neutro", declarou Hammack em um evento em Cincinnati.

"Eu preferiria ter uma postura um pouco mais restritiva para ajudar a pressionar mais os níveis de inflação que estão muito altos", continuou.

Setor de serviços do Brasil

O volume do setor de serviços do Brasil cresceu em outubro um pouco mais do que esperado, mantendo a resiliência mesmo em meio à política monetária restritiva que afeta a atividade econômica do país, embora tenha mostrado desaceleração ante setembro.

Em outubro, o setor de serviços apresentou aumento de 0,3% no volume em relação a setembro, quando houve crescimento de 0,7%, informou nesta quarta-feira o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Apesar da desaceleração, o resultado ficou ligeiramente acima da expectativa em pesquisa da Reuters, de alta de 0,2% no mês, e com isso o volume de serviços renovou o patamar recorde da série histórica, iniciada em 2011.

*Com informações da Reuters

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