Bolsa cai mais de 2% com eleições, ata do BC e payroll no radar; dólar sobe

Fluxo de moeda para exterior também influenciou movimento do câmbio

Da CNN Brasil*
Compartilhar matéria

Os principais indicadores do mercado financeiro fecharam no campo negativo nesta terça-feria (16), com investidores repercutindo o recado cauteloso do BC (Banco Central) na ata da reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) da última semana e a última pesquisa Genial/Quaest.

O Ibovespa encerrou o dia em queda de 2,42%, aos 158.557,57 pontos. O fluxo financeiro da sessão somou R$ 31.283.980.198.

Enquanto isso, o dólar fechou em alta de 0,78%, cotado em R$ 5,464 na venda, na direção contrária da perda de valor da divisa norte-americana ante uma cesta de moedas fortes. No ano, porém, a moeda acumula baixa de 11,57%.

Pesquisa alimenta mau humor

Em um dos cenários estimulados da pesquisa Genial/Quaest, divulgada no início da tarde, Lula obteve 41% das intenções de voto para presidente, com o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 23% e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), com 10%.

Em um cenário sem Tarcísio, Lula tem 39%, Flávio soma 23% e o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), aparece com 13%. Lula venceria uma eventual disputa em segundo turno contra todos os candidatos mais competitivos. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) não foi incluída no levantamento, cuja margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos.

Mais do que a vitória de Lula nos diferentes cenários, chamou a atenção o fato de Flávio estar mais bem colocado na pesquisa do que Tarcísio, nome favorito do mercado para a disputa com o atual presidente.

Quando saiu o nome do Flávio [em 5 de dezembro], o mercado tinha a certeza de que o candidato mais competitivo era o Tarcísio”, comentou Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez, ao lembrar da disparada do dólar e da curva de juros naquele momento.

Segundo ele, com o passar dos dias a avaliação do nome de Flávio foi melhorando, o que contribuiu para reduzir a pressão sobre os ativos brasileiros, mas “hoje nós confirmamos o mesmo ponto”.

“Quando a Quaest sai mostrando o Lula forte, volta o medo de que não se concretize a alternância política. Por isso o mercado piorou.”

Câmbio

A moeda norte-americana oscilou em alta ante o real durante praticamente toda a sessão, impulsionada desde cedo pelas tradicionais remessas de recursos ao exterior no fim de ano, feitas por empresas e fundos, conforme profissionais ouvidos pela Reuters.

O movimento se intensificou ainda durante a manhã, em meio às especulações no mercado de que a pesquisa Genial/Quaest mostraria Lula bem colocado na disputa em relação a seus adversários de direita.

Após marcar uma cotação mínima de R$ 5,4157 (-0,11%) às 9h24, ainda na primeira meia hora da sessão, o dólar à vista escalou até a máxima de R$ 5,4768 (+1,02%) às 12h37 - antes mesmo da divulgação oficial da pesquisa Genial/Quaest, cujos resultados já eram especulados nas mesas.

“Houve compras [de dólares] características de fim de ano e desde cedo a moeda se descolou do que ocorria lá fora”, comentou o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik. “E o mercado operou antes mesmo da divulgação da pesquisa eleitoral, porque havia comentários de que ela seria ruim para a oposição”, acrescentou.

BC despista queda dos juros

No início do dia, o Banco Central publicou a ata do último encontro do Copom, que na semana passada manteve a taxa básica Selic em 15% ao ano.

No texto, o BC apontou ganhos gerados pela "condução cautelosa" dos juros, vendo contribuição determinante da política monetária para a desaceleração dos preços. Além disso, o BC enfatizou o firme compromisso com a meta de inflação, de 3%.

Os efeitos da mensagem da ata sobre o câmbio, no entanto, foram diluídos pela maior influência do fluxo e da pesquisa eleitoral.

No exterior, o dia foi marcado pela divulgação de novos dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos, com o dólar sustentando baixas ante boa parte das demais divisas. Por volta das 17h, o índice do dólar - que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas - caía 0,14%, a 98,122.

Sem uma indicação clara do BC sobre a política monetária no curto prazo, as taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) avançaram, ainda que muitos participantes do mercado sigam projetando o início dos cortes em janeiro.

Para economistas do Bradesco, a ata trouxe uma reavaliação relevante do cenário, transmitindo maior confiança na eficácia da estratégia adotada até agora para colocar a inflação na trajetória de convergência à meta.

"O quadro descrito pelo Comitê está alinhado à nossa leitura da conjuntura, não sinaliza explicitamente o início imediato do ciclo de cortes, mas mantém aberta a possibilidade de corte em janeiro, como previsto em nosso cenário", afirmaram em relatório enviado a clientes.

O Goldman Sachs, por sua vez, manteve sua previsão de uma primeira redução da Selic em março, destacando que a ata não traz qualquer indicação de que o ciclo de normalização dos juros possa começar em janeiro.

"Para que isso aconteça, provavelmente seria necessário que o Copom sinalizasse essa intenção em sua comunicação até a próxima reunião ou que houvesse uma melhora no balanço de riscos e/ou uma mudança claramente mais 'dovish' nos dados macroeconômicos recentes, levando a projeções de inflação significativamente mais baixas ao longo do horizonte relevante."

Os rendimentos dos Treasuries também caem, com os investidores avaliando os dados do relatório de emprego payroll.

Mercado de trabalho surpreende nos EUA

Nos EUA, o Departamento do Trabalho divulgou que a economia norte-americana abriu 64 mil postos de trabalho fora do setor agrícola em novembro, ante previsão de criação de 50 mil vagas, enquanto a taxa de desemprego ficou em 4,6%, acima da estimativa de 4,4% em pesquisa da Reuters.

O relatório de emprego atrasado de novembro e uma atualização parcial de outubro, publicados pelo Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA (Bureau of Labor Statistics ou BLS em inglês) nesta terça-feira, não incluíram a taxa de desemprego e outros indicadores de outubro.

A paralisação de 43 dias do governo impediu a coleta de dados.

A taxa de desemprego havia sido de 4,4% em setembro. O Departamento fez alterações nos pesos das estimativas da força de trabalho, porque nenhum dado foi coletado em outubro.

Na semana passada, as autoridades do Federal Reserve cortaram a taxa de juros em mais 0,25%, para a faixa de 3,5% a 3,75%. Entretanto, eles sinalizaram que é improvável que os custos dos empréstimos caiam ainda mais no curto prazo, pois aguardam clareza sobre a direção do mercado de trabalho e da inflação.

*Com informações da Reuters

Acompanhe Economia nas Redes Sociais