Ibovespa fecha em alta em dia com ata do Copom; dólar sobe
Ações da Axia e do Itaú Unibanco alavancaram a bolsa brasileria, descolando-se do viés negativo de mercados acionários no exterior

O Ibovespa fechou em alta nesta terça-feira (23), com Axia entre os principais suportes, em sessão marcada pela divulgação da ata da última decisão de política monetária do BC (Banco Central).
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,52%, a 171.258,87 pontos, após recuar a 168.495,17 pontos na mínima do dia mais cedo. Na máxima, chegou a 171.720,29 pontos.
A bolsa paulista abriu pressionada pelo viés negativo em praças acionárias no exterior, que refletiam perdas no setor de tecnologia, em meio a receios envolvendo investimentos em inteligência artificial financiados por dívidas.
O Ibovespa, porém, descolou do movimento no mercado internacional, onde o norte-americano S&P 500 fechou em baixa de 1,44%, replicando o tom dos pregões na Europa e Ásia.
Já o dólar fechou a sessão em alta frente ao real, acompanhando o fortalecimento da moeda norte-americana no exterior diante da maioria das divisas globais. No mercado doméstico, os investidores também repercutiram a ata da última reunião de política monetária do BC.
O dólar à vista encerrou o pregão com valorização de 0,87%, cotado a R$ 5,1859. Apesar da alta no dia, a moeda norte-americana ainda acumula queda de 5,52% frente ao real em 2025.
Ata do Copom
O Copom informou que o cenário da inflação se deteriorou no intervalo das reuniões de abril e maio.
Apesar disso, o Copom decidiu reduzir a taxa básica de juros para 14,25% ao ano na útlima reunião. Na ocasião, o colegiado também revisou a sua projeção da inflação de 2026 para 5,2%, acima da meta.
"Em um primeiro momento, foi ressaltado que o cenário havia se deteriorado desde a última decisão, tanto em termos das leituras mais recentes da inflação cheia e suas medidas subjacentes, quanto das expectativas para os anos de 2026, 2027 e 2028. Destacou-se que a última leitura do IPCA já situa o índice acima do limite superior estabelecido para a meta", diz a ata.
Segundo o colegiado, desde a reunião de abril ficou "evidente" uma desancoragem adicional das expectativas de inflação para horizontes mais longos, em particular para o ano de 2028.
"A principal conclusão obtida, e compartilhada por todos os membros do Comitê, foi a de que, em um ambiente de expectativas desancoradas, como é o caso do atual, exige-se uma restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado", diz o comunicado.
Papéis da bolsa brasileira
Entre os destaques do pregão, Axia ON avançou 2,59%, registrando a terceira alta consecutiva. A companhia informou que seu conselho de administração aprovou a emissão de debêntures simples com prazo de dez anos no valor de R$ 800 milhões, com possibilidade de lote adicional de até 25%, elevando a operação para até R$ 1 bilhão.
As ações da Petrobras também encerraram o dia em alta, apesar da queda dos preços do petróleo no mercado internacional. As ações preferenciais da empresa avançaram 0,41%, enquanto as ordinárias ganharam 0,78%.
A estatal anunciou a assinatura de um memorando de entendimentos com a petroleira mexicana Pemex para cooperação estratégica e técnica em projetos do setor de petróleo e gás.
Segundo a presidente da companhia, Magda Chambriard, a parceria poderá envolver oportunidades no México, no Brasil e em países da África, além de reforçar o interesse da Petrobras na exploração de águas profundas no Golfo do México.
Queda nas bolsas globais
O sentimento negativo do Ibovespa também emula o cenário das bolsas globais, impactadas por pressão no setor de tecnologia.
Em Nova York, os futuros da Nasdaq perdem mais de 3%, com desempenho negativo também na Dow Jones e S&P 500.
Na Europa, o Stoxx 600 recuava quase 0,9%, enquanto as praças na Ásia fecharam majoritariamente no vermelho.
Ontem, o índice Nasdaq recuou mais de 1% em meio a uma forte venda de ações de tecnologia, desencadeada pela Alphabet, que perdeu um cientista vencedor do Nobel para a Anthropic.
O mau humor predomina, apesar de sinais de avanços nas negociações entre Estados Unidos e Irã.
Segundo o vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, as conversas com Teerã criaram uma "boa base para um acordo final bem-sucedido" que encerre definitivamente a guerra no Oriente Médio.
*Com informações da Reuters e Estadão Conteúdo


