Após bater US$ 100, petróleo diminui ganhos com extensão de cessar-fogo
Trump estendeu novamente prazo do cessar-fogo com Irã até que país apresente proposta para encerrar conflito
Os preços do petróleo reduziram seus ganhos no final desta terça-feira (21), após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar que estendeu novamente o prazo do cessar-fogo com o Irã.
A cotação da commodity chegou a bater os US$ 100 ao longo do dia, com a escalada de tensão na guerra do Oriente Médio, à medida que se aproximava o prazo final da noite de quarta-feira (22). Mais cedo, o presidente norte-americano disse que continuaria bombardeando o Irã caso os países não cheguem a um acordo.
Os futuros do Brent - referência internacional negociada na ICE (International Commodities Exchange) - fecharam o dia com ganho de US$ 3, ou 3,1%, encerrando o pregão a US$ 98,48 por barril. Enquanto isso, o petróleo WTI (West Texas Intermediate), referência dos EUA, subiu US$ 2,52, ou 2,8%, encerrando a US$ 92,13.
Nas negociações pós-mercado, logo após o anúncio de Trump, pouco depois das 17h, o contrato mais líquido do petróleo Brent recuou de US$ 100,97 a US$ 97,89. Contudo, os negócios seguiam voláteis, com os preços registrando alta de até 4%, em torno de US$ 99, às 17h30.
Já o WTI para maio recuou de US$ 94,45 no pior momento do dia a US$ 91,80 nas negociações após o fechamento.
"A volatilidade é natural num mundo onde a geopolítica está efervescente", indica Gabriel Cintra, CIO da Eleva Invest, ressaltando que ainda não há alinhamento entre as exigências dos EUA e do Irã.
A questão é que as negociações ainda não andaram, reforça o analista João Abdouni.
"A gente pode voltar a qualquer momento para esse conflito. As coisas ainda estão bastante incertas, o mercado vem reagindo a qualquer notícia, mas atualmente o petróleo está negociando ali por volta dos US$ 95 o barril, o que é bastante elevado", avalia.
Ainda assim, Abdouni ressalta que, após a extensão do cessar-fogo por Trump, a tendência deve ser baixista para o preço do petróleo.
Escalada de tensão no Oriente Médio e perspectivas sobre negociação
"O aumento do preço do petróleo nesses dois últimos dias deve-se ao final do prazo de cessar-fogo", destaca Roberto Dumas, professor do Insper e estrategista-chefe da GCB.
Ao considerar a conjuntura da guerra, as análises sobre o cenário passam a ser de curtíssimo prazo, segundo Cesar Queiroz, especialista de mercado e CEO da Queiroz Investimentos e Participações, que enfatiza a volatilidade e fragilidade das negociações e acordos.
"Conflitos bélicos mudam expectativas diariamente, elevam a volatilidade e tornam o mercado muito mais sensível a notícias e rumores. Foi exatamente isso que vimos com a recente alta do petróleo em meio às tensões no Oriente Médio", pontua Queiroz.
"O foco imediato recai sobre o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de escoamento de petróleo do mundo. Mas o impacto não se limita a esse ponto. Outros corredores logísticos relevantes, como o Canal de Suez e a região de Bab-el-Mandeb, também entram no radar dos investidores. Quando há risco nessas rotas, toda a cadeia global sente: energia, transporte, frete, indústria e comércio exterior", explica.
Observando o cenário por cima, em longo prazo, William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, argumenta que os efeitos da guerra no petróleo devem ser passageiros, considerando eventos de conflitos passados que repercutiram de maneira semelhante.
Considerando os contratos de petróleo de longo prazo, ressalta como eles refletem uma potencial normalização dos preços.
"Olhando mais a médio/longo prazo, o mercado entende que [...] há um choque de oferta negativo no curto prazo, que em algum momento vai ser regularizado", conclui o estrategista-chefe da Avenue, ressaltando que os agentes trabalham com uma normalização no futuro.
Últimos dias
O Irã anunciou na sexta-feira (17) que reabriria o Estreito de Ormuz durante o período de cessar-fogo, em meio às negociações entre o país e os Estados Unidos.
No final de semana, porém, as forças armadas do país persa disseram que restrições à passagem de navios iranianos pela via marítima estavam sendo impostas novamente pelos EUA, alegando "repetidas violações de confiança" por Washington no cessar-fogo. Desse modo, o Irã voltou a bloquear a passagem pelo estreito.
Um vídeo divulgado pelo Centcom (Comando Central dos EUA) mostra o momento em que a Marinha dos Estados Unidos realiza diversos disparos contra o navio cargueiro de bandeira do Irã chamado Touska, que tentou furar o bloqueio naval norte-americano no domingo (19).
O chanceler do Irã, Abbas Araqchi, disse ao seu homólogo paquistanês Ishaq Dar que as "contínuas violações do cessar-fogo" por parte dos EUA são um grande obstáculo para a continuidade do processo diplomático, segundo um comunicado do Ministério das Relações Exteriores do Irã de segunda-feira (20).
Em um comunicado publicado nesta terça, o Ministério condenou a apreensão do navio e exigiu a "libertação imediata da embarcação iraniana, de seus marinheiros, da tripulação e de suas famílias".
Em outra incursão, forças norte-americanas abordaram um petroleiro sancionado na região do Indo-Pacífico, como parte de seus esforços para barrar embarcações que fornecem apoio ao Irã, informou o Pentágono em uma publicação no Facebook mais cedo.
Por sua vez, Trump afirmou em uma publicação na Truth Social nesta terça que o Irã violou o acordo de cessar-fogo "diversas vezes".
Com a escalada de tensão, o Irã disse que "não há planos para segunda rodada de negociações" com os EUA.
Porém, em publicação na rede social Truth Social, Trump disse que o prazo do cessar-fogo seria estendido "até que uma proposta seja apresentada e as discussões sejam concluídas". O presidente dos EUA anunciou que a extensão foi um pedido do primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, e do Marechal Asim Munir.
Com informações de Lucas Teixeira, da CNN Brasil; e da Reuters


